Gente, gente, gente! O que é o reality show “Os mestres da fritura”, da Netflix? Em um primeiro momento, eu achei que não ia aguentar terminar a aventura, tamanho enjoo em ver a quantidade de óleo escorrendo pela tela através das mais variadas frituras.
Tiras de frango empanadas, hamburgueres, peixes, frutos do mar, bolos de caranguejos, costelas de porco, além de mortadela frita, linguiça, ovos a dar com o pau, frutas e até doces inimagináveis feitos a partir de biscoitos Oreo, de caramelos e até sucos em pó. É! Aqueles que tingiram as nossas memórias infantis, há, há, há…
A primeira temporada conta com oito episódios diferentes e é comandada pelo crítico gastronômico Daym Drops, autor do livro “Eating across America: A foodie´s guide to food trucks, street food and the best dish in each state”, de 2018, e responsável por avaliar as melhores comida de rua, o trabalho de chefs de cozinha, assim como revelar cozinheiras domésticas que construíram negócios bem-sucedidos a partir do nada.
Na verdade, “Os mestres da fritura” é um road movie porque Daym Drops percorre algumas cidades americanas como Birmingham, Baltimore, Cleveland, Denver, Las Vegas, San Diego, Savannah e Saint Louis atrás de pratos e delícias crocantes.
Agora, o mais interessante da série é atentar-se as palavras ditas pelo profissional porque além dos comentários bem-humorados, ele também faz tiradas mordazes contra as obras de arte efêmeras dos personagens em cena e não se intimida em criticá-las diante das câmeras.
O cara é uma figura! E segura o reality do início ao fim com muitas caras e bocas! Aliás, suas bocadas em sanduiches, waffles, espetinhos e pedaços de carnes são enormes e ganham vários closes nesta primeira temporada porque ele é aquele típico glutão, ou melhor, um verdadeiro foodie (pessoa interessada em aprender tudo sobre comida, tanto a melhor como a mais comum).
Outro ponto positivo é que o espectador toma ciência que fazer fritura não é algo simplista e apenas um método de cocção usado por donas-de-casa. Para fazer uma boa fritura que tenha crocância, maciez interna e aparência brilhante é necessário primeiramente trabalhar com óleo limpo, novo e saber que cada um deles exige uma temperatura distinta e um tempo diferente de cocção para cada alimento usado.
O banho de massa recebido também difere de alimento para alimento, pois alguns precisam passar pelo ovo e depois rolar pela farinha de trigo. Já outros necessitam banhar-se em uma mistura de leite, farinha e temperos e outros apenas ganham uma chuveirada com farinhas mais grossas (panko), ou ainda, são cozidos em água e sal (massas recheadas) para somente depois receberem aquele bronze saudável direto da frigideira como feito antigamente. Aliás, há dois tipos de fritura: a feita por imersão (coxinha, fritas, bolinho de chuva) e a fritura superficial e feita com pouco óleo (bifes e legumes).
“Os mestres da fritura” vale a pena por vários motivos. São eles: por apresentar um conteúdo diferente dos demais realities existentes na atualidade, por chutar o balde em relação as preocupações com saúde e ignorar a quantidade de calorias existentes em cada prato consumido, por acertar na escolha de um apresentador carismático, despachado e com jeitão de “ogro” e, principalmente, porque a série consegue seduzir os espectadores com imagens, despertando a fome e os prazeres associados ao ato de comer.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada

P.S. O consumo de frituras deve ser feito com moderação! Em último caso, recorram aos antiácidos, há, há, há…
Foto e vídeo: reproduções