Uma das séries mais assistidas na Netflix durante a pandemia acaba de estrear a sua segunda parte, trazendo de volta o ator francês Omar Sy na pele de Assane Diop, versão moderna de Arsène Lupin, personagem principal dos livros de Maurice Leblanc.
Como na primeira parte, a segunda também conta com cinco episódios distintos, mas a principal diferença entre elas é que o protagonista começa a atual em uma situação de vulnerabilidade, pois seu filho Raoul (Etan Simon) foi sequestrado por um capanga de Hubert Pellegrini (Hervé Pierre), seu inimigo e vilão da história.
Logo de cara, ficam evidentes as preocupações do personagem principal em relação ao desfecho do sequestro e o destino de sua família. A verdade é que Assane não esperava que sua vingança pessoal pudesse respingar nas pessoas que mais ama, por isso todo cuidado é pouco e cada passo dado deve ser muito bem planejado.
O interessante dessa segunda parte é que as circunstâncias fictícias colocam o protagonista frente a frente com o investigador de polícia Youssef Guedira (Soufiane Guerrab) e os dois acabam unindo forças para encontrar e resgatar Raoul das mãos de Leonard (Adama Niane), bem como para desvendar alguns dos crimes cometidos por Pellegrini e por Dumont (Vicent Garanger).
Outro ponto positivo da obra é que o espectador fica sabendo um pouco mais sobre a adolescência de Assane, sobre os episódios racistas que ele foi vítima, além das aventuras passadas ao lado de seu melhor amigo Benjamin Ferel (Antoine Gouy) e dos encontros amorosos com Claire (Ludivine Sagnier) e Juliette (Clotilde Hesme).
Paris ganha espaço na série e o espectador que está assistindo-a flana virtualmente entre as catacumbas e túneis subterrâneos, pelo interior e bastidores do museu Orsay, pelas margens do rio Sena e pelas ruas centrais da cidade.
O ritmo dos episódios é intenso e até por esse motivo não é difícil maratonar por “Lupin – parte 2”. Desta vez, há referências aos livros “A mulher loura” e “A lâmpada judaica”, de Leblanc, além de citações sobre o detetive Herlock Sholmes (trocadilho feito com o nome do detetive mais famoso do mundo Sherlock Holmes).
O fato é que os riscos assumidos pelo personagem principal diante das câmeras são interessantes, apesar de muitas vezes as soluções transparecerem irreais e dignas de super-heróis. Além disso, os coadjuvantes da obra ganham relevância nesse segundo momento e até participam de algumas surpresas cênicas.
O carisma do ator Omar Sy continua sendo fator determinante para o sucesso da série, especialmente sua capacidade em transformar cenas banais como a que ele cozinha e dança na companhia de seu cachorro J´accuse em passagens inesquecíveis da narrativa.
A segunda parte de “Lupin” deixou gancho para o desenvolvimento de uma terceira parte da obra e o próprio Omar Sy já confirmou que ela acontecerá e que estreará em 2022 para delírio dos amantes desta nova versão do ladrão de casaca, ou melhor, ladrão de obras de arte e protagonista de histórias passadas em lugares pouco comuns da Cidade Luz.
“Emily in Paris” que se cuide! E apresente, assim como “Lupin”, novas perspectivas de Paris, além da Torre Eiffel, do Museu do Louvre, da Catedral de Notre-Dame, do Centro Georges Pompidou, do Jardim de Luxemburgo, da Universidade de Sorbonne e da Champs-Élysées, avenida mais charmosa do mundo.
Eu indico.

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções