Em algumas cidades turísticas você se depara com monumentos históricos, com belezas construídas através da arquitetura característica de um período, além de bolsões naturais, parques e o colorido encontrado na arte de rua, especialmente os grafites.
Roma é um dos principais exemplos de como nós podemos nos surpreender a cada esquina, pois a verdade é que a cidade é um museu a céu aberto e a exuberância do Coliseu, da cidade do Vaticano, das ruínas romanas, do fórum local, bem como do Panteão, dos arcos, pontes, fontes de água e escadarias de praças favorecem as aberturas de bocas durante toda a estada.
Já a pegada de Nova Iorque é outra e muito mais moderna, pois a cidade é conhecida por suas luzes coloridas, pela presença de prédios envidraçados ou altíssimos, pela sua estátua da Liberdade, pela cultura de rua e pela sua dinâmica, pois nunca dorme, nunca para, exceto na pandemia.
São Paulo segue a mesma trilha de pulsar 24 horas por dia, de aparentar ser uma cidade distópica e cenário perfeito para produções cinematográficas, além de ser um local de miscigenação racial e mestiçagem cultural por bem receber descendentes de várias partes do mundo.
E assim como na cidade italiana, eu me surpreendi por 30 vezes consecutivas durante um passeio que fiz de bicicleta pela Avenida Paulista, um dos cartões postais da capital paulista, pois espalharam obras das artistas plásticas Tainá Lima (Criola) e Cláudia Liz pela ciclovia construída na via pública.
A exposição a céu aberto foi intitulada de “Feminino Plural” e, como o próprio nome diz, as obras que a compõem destacam as mulheres, a força e potência feminina, além de tocar em temáticas como feminicídio, violação dos direitos humanos, racismo, bem como levantar discussões sobre a ditadura da beleza existente hoje.
Ao longo do percurso estético de 1 km de extensão e que pode ser cumprido a pé, de bike, skate, patenete, carro ou mesmo ônibus, o passante pode deparar-se ainda com algumas homenagens feitas pelas artistas para mulheres que se destacaram na esfera artística ou intelectual, tais como: a artista plástica Tomie Ohtake, a liderança indígena Sonia Guajajara e a filósofa Djamila Ribeiro.
Agora, o interessante da aventura é que há a criação de um diálogo e interação entre as obras vistas com o cenário urbano presente e tudo isso colabora para o espessamento cultural, para o desenvolvimento da street art e para reforçar a importância de ocupação de espaços públicos por artistas e a população local.
Outro ponto positivo desta exposição é que como ela acontece ao ar livre, há uma circulação natural do ar, então os cuidados de saúde necessários para a sua apreciação restringem-se ao uso de máscara, álcool gel e na não aglomeração diante das obras.
“Feminino Plural” ficará em cartaz até o final do mês de junho, então aproveitem os minutos de sua prática esportiva ou o passeio pela Avenida Paulista para gratificar seus olhos com belezas criadas a partir de almas criativas, contestadoras ou artistas que sabem sobre a importância do estabelecimento desse contato físico com cores, formas pintadas, discursos e narrativas necessárias.
Eu indico o passeio.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução