Nós estamos no modo economia de glitter, pois este ano não tivemos carnaval e nem a Parada LGBT+. Ninguém merece! No entanto, a produção nacional “Carnaval”, lançada recentemente na Netflix, tem o intuito de matarmos o gostinho pelos dias de folia e pelo brilho da festa popular.
A ideia da película é discutir em meio aos trios elétricos e festas VIPs de Salvador o trabalho desenvolvido pelas influenciadoras digitais, assim como a cultura do cancelamento, o valor das amizades e o real custo da fama.
Para isso, o diretor Leandro Neri joga Nina (Giovana Cordeiro) em uma fogueira das vaidades, pois a personagem começa a obra descobrindo que foi traída pelo namorado, virou piada nacional e um dos memes mais vistos da atualidade.
Para chutar a urucubaca para bem longe, ela negocia uma permuta com um de seus patrocinadores e cai na folia na capital baiana na companhia de suas melhores amigas Mayra (Bruna Inocencio), Michele (GKay) e Vivi (Samya Pascotto).
A aventura purpurinada começa com a recepção feita por Salvador (Jean Pedro), guia local, que as encaminha para a pousada em que estão hospedadas. Nina e as meninas percebem as diferenças no tratamento recebido, pois as influenciadoras com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais como Luana (Flavia Pavanelli) estão hospedadas em um resort localizado ao lado da pousada e desfrutando dos luxos proporcionados pelo cantor de axé Freddy Nunes (Micael Borges).
E como ninguém quer ficar na janelinha batendo palmas para as bonitas, o quarteto fantástico dá seu jeito para ludibriar os seguranças, entrar no hotel e desfrutar das festas realizadas à beira da piscina.
No meio de toda essa bagunça boa, há a tentativa de apresentar ao espectador o sincretismo religioso da cidade, além de alguns pontos turísticos de Salvador e a cultura local com suas delícias gastronômica, danças típicas e aquele axé que esperamos sentir quando estamos flanando pelas ladeiras locais.
Parte do lado cômico da película fica por conta da personagem Michele (GKay) que faz uma garota dona-de-si, pegadora e que não tá nem aí em distribuir bitocas e beijar muuuito durante todos os dias de folia. Outra personagem que extrai alguns leves sorrisos do espectador é a Vivi (Samya Pascotto) e sua nóia pela cultura geek e por homens apaixonados por personagens de filmes, quadrinhos, livros e elementos deste universo particular.
Um triângulo amoroso envolvendo Nina, Freddy e Salvador até é sugerido na obra, mas ele não decola porque é carnaval e período de relações efêmeras e que escorrem entre os confetes e as serpentinas presentes. Outro assunto que é abordado durante o filme é o afrouxamento de laços criados com os seguidores e que podem ser desfeitos em apenas um clique. Que o diga Luana (Flavia Pavanelli) que viu sua vida rolar a ladeira do Pelourinho abaixo depois de dar uma série de declarações descontextualizadas e infelizes à imprensa.
“Carnaval” conta com um roteiro fraco, previsível e com várias falhas no desenvolvimento das histórias e do arco narrativo dos personagens secundários, porém é um filme alegre, colorido, musical e que se propõe a tocar em temáticas atuais, pertencentes à geração Z, além de contar com atores carismáticos.
Para quem deseja matar as saudades, especialmente da montagem feita para a ocasião ou tem a intenção de derrubar algum brilho sobre os dias e noites sisudos desta pandemia, eu indico conferir “Carnaval”.
Vale a pipoca!
Maria Oxigenada

Foto e vídeo: reproduções