A grande estreia da semana é o filme “Cruella” com Emma Stone no papel título e o mais interessante da obra é que sua personagem trava uma batalha pessoal e de vilania com a atriz Emma Thompson que interpreta a Baronesa Von Hellman, detentora de um império fashion.
Antes disso, o espectador conhece um pouco sobre o passado da anti-heroína, pois desde muito cedo Stella, nome de batismo da protagonista, já mostrava indícios de que seria uma estilista, pois desfilava com criações arrojadas e peças que refletiam sua natureza rebelde e transgressora.
Uma tragédia antecipa sua chegada a Londres e o contato com o burburinho cultural visto naquele momento na cidade, fruto do nascimento do punk/rock. As primeiras pessoas que ela conhece por lá são: Gaspar (Joel Fry) e Horácio (Paul Walter Hauser) que se transformam em seus melhores amigos e parceiros na realização de pequenos delitos diários.
Falcatruas também estavam na ordem do dia do trio e em uma delas, Stella consegue um emprego como faxineira na Maison da Baronesa, estilista renomada. E em um golpe de sorte e após uma noite de bebedeira solitária regada ao melhor uísque escocês, Stella chama a atenção da artista para seu trabalho de vitrinista.
Aos poucos, ela acaba se transformando em braço direito da Baronesa e criando para sua marca uma infinidade de modelos icônicos. No entanto, Stella não quer continuar nas sombras da bonita e, sim, ter uma marca de roupas para chamar de sua, assim como ser reconhecida pelo seu talento, pela sua criatividade e pela sua ousadia em desenvolver modelos que se contrapõem esteticamente as peças vistas nas coleções apresentadas pela Baronesa.
A partir daí, Stella assume a identidade de Cruella, se joga no mundinho da moda, promovendo aparições públicas e desfiles em espaços abertos que dialogam com seus entornos, além de suprir os desejos fashionistas dos jovens que estavam em busca de menos sisudez, mais individualismo e autenticidade ao se vestir.
Como não poderia ser diferente, a estilista Vivienne Westwood é uma referência para a construção do figurino visto na película que conta com muitas peças pretas, feitas em couro, além de ombros pontiagudos e extravagantes, de jaquetas de veludo com bottons, tachas e correntes adornando-as, bem como o uso de coturnos e make carregadíssimo. Destaque para as saias volumosas ostentadas por Emma Stone.
Em contrapartida, a estilista Jenny Beavan construiu os looks da Baronesa através de vestidos bem cortados, feitos com tecidos nobres, contendo golas exuberantes, recortes estratégicos, mangas longas derretidas, casacos e sobretudos assimétricos, joias imponentes e cabelos nas alturas, presos em coques ou recheados com apliques. Em comum, somente o batom vermelho vivo usado pelas duas personagens.
O clima de subversão e sombrio do filme é potencializado ainda mais com a presença de uma trilha sonora composta por músicas do The Clash, Queen, Blondie, Florence and the Machine, Bee Gees, Nina Simone, Doors, Ike & Tina Turner, Eletric Light Orchestra, Georgia Gibbs, John McCrea, Ken Dodd, Ohio Players, Supertramp, assim como a exploração da cultura dos grafites.
Agora, sem dúvida alguma a batalha interpretativa das duas Emmas é o que a película tem de melhor. A atriz Emma Stone potencializa a bipolaridade da sua personagem com o desenvolvimento de duas personalidades distintas (Stella e Cruella) sob os holofotes, ora pesando a mão em um comportamento, ora mostrando atitudes diferentes para cada uma das personas. Destaque para a cena dramática feita diante de uma fonte de água em que a atriz conversa com o fantasma de sua “mãe”.
Apesar de todos esses pontos positivos, o roteiro de “Cruella” não surpreende, nem conta com pontos de virada relevantes e, muito menos, dá um olé nos espectadores. Ele segue à risca sua proposta de apresentar os eventos que colaboraram para a formação da vilã de “101 Dálmatas”. Aliás, nas cenas pós-créditos o diretor Craig Gillespe faz um link entre os dois filmes, além de implantar a dúvida na cabeça de quem está assistindo “Cruella” sobre um possível remake de “101 Dálmatas”.
Eu indico “Cruella” principalmente pela sua exuberância visual, pela possibilidade de assistir ao duelo cênico entre a atriz Emma Stone e Emma Thompson e a chance de ver as duas desempenhando papeis completamente diferentes dos já feitos até o momento.
“Cruella” é a minha sugestão de entretenimento para o feriado de Corpus Christi!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções