Sensação estranha a de ver a vida passar pela janela ou sacada do prédio, né!? O interessante é que todos nós a vivenciamos intensamente no ano passado e ainda estamos voltados para a vida doméstica, pois a pandemia não acabou e o isolamento social ainda se faz necessário.
A protagonista do filme Anna Fox (Amy Adams) também está presa em casa, mas não é por causa do Coronavírus e sim porque ela sofre de agorafobia e com crises da ansiedade que a impede de colocar os pés na calçada.
A verdade é que ela vive reclusa, na companhia apenas de seu gato Punch, de filmes antigos e de suas taças de vinho. Três vezes por semana a personagem recebe a visita do seu psiquiatra, interpretado na obra pelo ator Tracy Letts, para a realização de sessões de terapia. Além dele, Anna ainda troca algumas palavras com seu inquilino David (Wyatt Russell) que vive no porão de sua casa, com seu ex-marido, interpretado pelo ator Anthony Mackie e com sua filha pequena. A dupla familiar não está em Nova Iorque no momento.
Certo dia, a psicóloga infantil (esta é a formação acadêmica de Anna) é surpreendida com a mudança de uma nova família na casa localizada do outro lado da rua e percebe que ela é pequena e formada apenas pelo casal Alistair (Gary Oldman) e Jane (Julianne Moore) e pelo filho adolescente do casal chamado Ethan (Fred Hechinger).
No entanto, Anna observa através dos vidros que a família é disfuncional e que episódios de agressão física envolvendo Ethan são frequentes, mas o problema maior é que ela também testemunha um assassinato ocorrido no local e tenta alertar a polícia sobre o ocorrido.
É claro que tanto os policiais como David não acreditam em uma única palavra dita por Anna, pois a personagem não inspira confiança e está sem crédito algum diante dos estranhos simplesmente pelo fato de misturar bebidas alcóolicas com os remédios prescritos pelo seu psiquiatra.
A confusão é tamanha que até a protagonista fica na dúvida em relação ao que viu na ocasião e pode sim ter sido fruto da sua imaginação quando estava sob os efeitos da medicação. A partir daí, ela volta para seu casulo particular e resolve não mais espionar ninguém ao seu entorno.
O problema é que Anna tem a sensação de estar sendo observada constantemente, mas por quem? E por qual motivo? Já que ela é considerada a ermitã lunática do bairro e alvo preferido das crianças perversas da redondeza.
Baseado no livro homônimo de Tracy Letts, “A mulher da janela” é um filme que começa bem, está envolto em uma aura de suspense à la Hitchcock e numa atmosfera claustrofóbica, sensação essa potencializada ainda mais pela locação escolhida, pois a casa da protagonista acaba se transformando em outro personagem da trama. Outro crédito deve ser dado para a atriz Amy Adams que é peça fundamental para a construção do clima sombrio e de clausura visto na obra.
A história ainda conta com um roteiro com vários pontos de virada que acabam deixando os espectadores confusos e questionando à lucidez e sanidade de Anna. A narrativa foi desenvolvida de tal forma que ninguém que a está assistindo compra a briga da protagonista ou fica ao seu lado.
Outro ponto negativo da obra é que os personagens coadjuvantes são mal desenvolvidos e há o desperdício dos talentos presentes, tais como o de Gary Oldman e de Julianne Moore. Apesar disso, a cena em que Amy Adams divide com Julianne Moore é a melhor existente no longa-metragem e consiste nas trocas de amenidades feitas entre vizinhas.
O fato de o filme ser concluído apressadamente também depõe contra ele e o espectador finaliza a aventura questionando se ela foi válida ou se foi pura perda de tempo?
Pela atuação de Amy Adams e pela homenagem feita aos filmes de suspense do passado, acredito que seja relevante dar uma olhadela em “A mulher da janela” para tirar suas próprias conclusões e compartilhar comigo suas impressões sobre a obra.
Beijos,
Maria Oxigenada

Foto e video: reproduções