Se você curte moda, provavelmente já ouviu falar de estilistas como: Calvin Klein, Gianni Versace, Giorgio Armani, Oscar de la Renta, Anne Klein, Cristóbal Balenciaga, entre outros. E de Roy Halston Frowick? Alguém sabe me dizer quem ele é?
A boa notícia é que a Netflix lançou uma série com cinco episódio sobre o estilista americano que revolucionou o guarda-roupa feminino nos anos 70 e 80, pois lançou vestidos com cortes minimalistas como o chemisier, peças com tecidos fluidos e estética caleidoscópica, além de reinventar sua participação no mercado com a criação de figurinos para espetáculos de balé usando tecidos maleáveis.
O interessante da obra é que ela resgata o passado traumático do estilista, apresentando o personagem ainda pequeno, integrando uma família humilde e disfuncional e presenciando episódios de violência doméstica. No entanto, é nessa época que o espectador percebe o talento do protagonista para a criação de chapéus para a sua própria mãe.
Aliás, foi outro modelo de chapéu que acendeu os holofotes para Halston, pois a primeira-dama dos Estados Unidos Jackie Kennedy usou uma criação sua, ou melhor, um pillbox no dia da posse do marido e daí para a alta-costura foi um pulo ambicioso do artista.
É claro que ele não encarou a nova empreitada sozinho e esteve a maior parte do tempo escoltado por colaboradores do calibre de: o ilustrador Joel Eula (David Pittu), a design de jóias Elsa Peretti (Rebecca Dayan) e o cineasta Joel Schumacher (Rory Culkin) e contando com a proteção de David Mahoney (Bill Pulman), CEO da Norton Simon, que lhe concedeu estrutura para produzir o que quisesse.
O problema foi que com o passar dos anos sua marca foi descaracterizada e ele perdeu o controle da produção, além do direito de usar o seu próprio nome. Em determinado momento de sua trajetória, Halston estava assinando desde perfumes até malas de viagem e não era isso que ele queria.
Paralelamente, quem está assistindo a série adentra na intimidade do estilista e na vida desregrada vivida por ele, pois o cara era babadeiro e gostava de drogas, sexo, das baladas ocorridas no Studio 54 e de estar na companhia de artistas como Liza Minnelli, Andy Warhol ou cercado de modelos como Bianca Jagger.
Agora, a queimação de filme aconteceu depois que ele abriu espaço na sua vida para o garoto de programa venezuelano Victor Hugo (Gian Franco Rodriguez). Daí sua imagem pessoal degringolou geral e foi ladeira abaixo, especialmente porque a dupla cheirava até poeira acumulada em maçanetas de portas e foi diagnosticada com HIV na década de 80.
Quem interpreta Halston na série é o ator Ewan McGregor e a verdade é que ele se joga na personagem! E não se importa de protagonizar cenas consumindo cocaína, beijando homens ou fazendo sexo com os bonitos. Além disso, o ator
também mostra sua faceta dramática em cenas que relembra seu passado, especialmente as divididas com a atriz Vera Farmiga que interpreta uma perfumista na obra ou já no episódio final quando faz um balanço sobre sua vida, refletindo sobre suas conquistas.
Destaque para a atriz Krysta Rodriguez que interpreta a atriz e cantora Liza Minnelli e para o número musical apresentado por ela que brinca com seu próprio nome. Outra presença cênica marcante é a da atriz Rebecca Dayan na pele de Elsa.
Baseada no livro “Simply Halston”, de Steven Gaines, e produzida por Ryan Murphy, a série não é só pegação e piração, não! Ela também conta com momentos divertidos como os travados durante a Batalha de Versalhes, disputa fashion realizada no castelo e que envolveu os maiores nomes da moda.
Apesar disso, o ritmo encontrado nos dois primeiros capítulos cansa o espectador, podendo afugentá-lo dos outros três, mas a boa nova é que a dinâmica da obra muda completamente a partir do terceiro episódio e sua narrativa apresenta pontos de virada interessantes com a redenção final do protagonista.
“Halston” é um produto feito para quem gosta de saber sobre os personagens que orbitam ou orbitavam no mundinho da moda, para quem tem curiosidade em conhecer o funcionamento de uma mente criativa em ação e como um artista do calibre de Halston conseguiu se metamorfosear ao longo da carreira e através das exigências do mercado e dos desejos dos consumidores.
Eu gostei da série porque ela não desfila com óculos cor de rosa através da história de um dos maiores nomes da moda americana!

Maria Oxigenada

Foto e vídeo: reproduções