Diferente do ano passado, nós comemoramos o Dia das Mães fora da gaiola. Mamãe quis voar para o interior e pousar em um hotel fazenda localizado bem no centro do Estado de São Paulo para descansar da rotina e das atividades domésticas. Sua única exigência foi que nós fossemos durante a semana e não no final de semana para evitarmos estradas cheias e o contato com outros hóspedes.
A boa notícia é que meus avós nos acompanharam, pois já estão vacinados contra Covid. A outra boa nova foi que o hotel aceitou a presença do Almôndega em suas dependências e meu melhor amigo foi conosco. Uhu!
Eu, sinceramente, não sei quem estava mais feliz com a saída fora de hora, se meus avós que puderam relembrar as delícias da vida no campo ou se meus pais que desaceleraram por completo, entraram no ritmo local e viram graça no contato com os animais da roça, a natureza e o ócio.
Quem estranhou a liberdade foi o Almôndega, pois não sabia bem o que fazer logo que se viu solto e sem a sua coleira habitual. Eu o autorizei a sair em disparada pela estrada de terra que dava acesso a sede do casarão, mas ele ficou me olhando desconfiado e esperando por algum revés.
No entanto, bastou algumas horas para ele escanear toda a fazenda, descobrindo suas atrações, pontos turísticos e animais. Dentre eles, um lago natural com uma família de patos que insistia em deslizar enfileirada por suas águas doces. No entanto, foram as galinhas d´angola quem o tirou da pasmaceira inicial porque além de tentarem hipnotizá-lo com o coro do “tô fraco, tô fraco”, elas ainda reuniram forças e resolveram dar vários carreirões no Almôndega. Hilário!
O bonito tava achando que ia cantar de galo e reinar por lá como ele faz aqui em casa. Que nada! Depois de dar vários tiros e fugir das penosas, ele percebeu que o melhor mesmo era nos acompanhar pelas aventuras rurais e continuar protegidinho.
Para vocês terem ideia, o Almôndega até surfou sobre as crinas dos cavalos locais enquanto eu cavalgava pelas trilhas, pois ele me pediu colo, se ajeitou em pé na sela e serviu de sentinela aos animais.
Nos dias que passamos por lá, nós ainda nos embrenhamos pela culinária caipira e por pratos com gostinhos de outrora. É claro que todo mundo enfiou o pé na jaca, abandonou a dieta e caiu de boca nas delícias típicas.
E como nós éramos os únicos hóspedes da fazenda, eu grudei na cozinheira e pedi para ela me ensinar alguns segredinhos culinários como o feitio correto do suco de milho verde, bem ao estilo do Castelinho da Pamonha. Vocês sabiam que a bebida é feita com o milho cozido? Eu sempre achei que fosse feita com milho cru….e como diz a música de Elis Regina:
“Vivendo e aprendendo a jogar,
Nem sempre ganhando,
Nem sempre perdendo,
Mas aprendendo a jogar…”
Beeeem por aí né, Oxigenadas!?
Outra lição tirada da aventura foi que o contato com a natureza é restaurador e um remédio sem contraindicações, pois melhora nosso bem-estar, nossa saúde mental e nossa cura física e emocional e todos nós estamos precisando disso nesse momento de pandemia.
E apesar de não ter conhecido pessoas novas e nem ter ido para um lugar badalado, eu aprovei a escolha da mamãe e achei que a viagem fez bem a todos, inclusive para o Almôndega que voltou babando no carro e sonhando com um mantra diferente do emitido pelas galinhas d´angola e que orbitava em torno das palavras “tô forte, tô forte”!
Nós pegamos o nosso caminho da roça após tomarmos o café da manhã da sexta-feira e antes da chegada dos hóspedes do final de semana. Já o domingo especial, este foi comemorado em casa, com uma feijoada preparada pelo sr. Osvaldo, meu sogro, e com a nossa reunião ao redor da mesa para degustar um prato que está carregado de memórias culturais e que reforça a mensagem da necessidade de maior contato com alimentos in-natura num contrafluxo ao que é consumido hoje.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução