À primeira vista, a coleção Cruise da marca teve uma pegada gótica, ou melhor dizendo, uma pitada emo, pois a quantidade de referências vistas dessas tendências no fashion filme foi alta e nós ficamos diante de produções total black, além de olhos fortemente marcados, franjas caídas nos rostos, meias arrastões, chokers, piercings e braceletes.
No entanto, eu percebi a intenção de destacar uma luz no fim do túnel pós pandemia, pois logo na primeira cena da apresentação raios de sol iluminaram os caminhos de mármore percorridos pela modelo que abriu o desfile virtual no espaço de arte Carrières de Lumières, na Provence, sul da França. Além disso, a estilista Virginie Viard fez questão de passar uma mensagem esperançosa e positiva não só com o uso da estampa de pomba, como também com a soltura de algumas aves no final do show de moda.
É claro que outras prints também circularam pelo cenário de pedra, tais como: as de estrelas, a solar, as floridas ou as inspiradas na natureza e que lembravam algumas obras de artistas impressionistas como Claude Monet.
O DNA da grife foi mais uma vez confirmado com a presença de casacos de tweed, de acessórios feitos de pérolas, assim como as produções em P&B, os looks estilo navy construídos com vestidos com golas marinheiro ou com camisetas listradas, além de peças de design simples.
Apesar da tradição vista, a coleção ganhou um frescor com o desfile de barrigas de fora, de cinturas baixas, de produções assimétricas, do uso de tops por cima de camisetas de mangas longas, de camadas de plumas, do casamento de vestidos abertos com shorts curtos, de minissaias franjadas, de corseletes bordados, de sapatos bicolores ou botinhas brancas.
Destaque para as capas feitas em crochê ou vazadas, para as túnicas brancas, para os casacos com quatro bolsos frontais, para os croppeds com mangas volumosas, para os pingentes de coração, para os broches de estrelas, para os brincos de correntes, mas especialmente para os piercings de boca ostentando o logo da label ou para as micro bolsas posicionadas nas coxas das modelos.
Confesso que eu adorei a apresentação idealizada pela estilista Virginie Viard, especialmente a escolha da locação e do uso de pombas brancas como mensageira da paz e numa simbologia da união entre o divino e os homens.
Pelo visto, o mercado de moda está sendo invadido e preenchido novamente por movimentos, luzes, sentimentos positivos e de perseverança em relação a dias melhores e bem longe daquele breu visto ano passado.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções