Taí mais uma animação que irá concorrer na cerimônia do Oscar, programada para acontecer dia 25 de abril. Diferente de “Se algo acontecer…te amo!”, a técnica empregada nesta é a de stop motion, ou seja, a boa e velha massinha de modelar.
O protagonista da obra já é conhecido dos apaixonados por desenhos e é o carneiro Shaun. Ambientada no campo e na fazenda Mossy Bottom, a aventura começa com ele e seus amigos seguindo uma rotina repetitiva e fazendo de tudo para ludibriar o cão Bitzer, bem como infringir as leis impostas pelo fazendeiro local que, aliás, são muitas.
A graça dos primeiros minutos da película está em acompanhar as ovelhas armando para ter um jantar decente e não a ração costumeira. Para isso, elas planejam comprar algumas pizzas por delivery e que serão entregues por um motoboy lá na sede da fazenda.
No entanto, isso é só o esquenta para podermos entrar no clima da animação e dos personagens, pois o mote de sua história é outro e gira em torno da construção de uma amizade interplanetária, ou seja, do relacionamento entre o carneiro Shaun e de Lu La, um ETzinho colorido e com carinha de cachorro.
Tanto a população como as autoridades locais acreditam que a cidade de Mossingham esteja sendo invadida por alienígenas, pois episódios estranhos começam a pipocar aqui e ali, tais como: o surgimento de desenhos geométricos nas plantações da região, a visualização de objetos não identificados no céu da cidade e até a queda de um disco voador.
De certa forma, isso é verdadeiro porque Lu La embarcou sem o consentimento de seus pais na espaçonave da família e chegou à Terra sem saber quase nada sobre o planeta azul e seus habitantes. E após a criação dos primeiros vínculos entre o carneiro Shaun e ele, o primeiro resolve ajudar o segundo no seu retorno para casa.
Referências a outros filmes de ficção científica, tais como “E.T. – o Extraterrestre”, “2001 – Uma odisseia no espaço” e “Contatos imediatos de terceiro grau” são feitas ao longo da película; tudo para agradar os altinhos que estão acompanhando a narrativa.
O desafio da dupla não é só o retorno seguro de Lu La para seu planeta de origem, mas também a fuga dos membros do Ministério de Detenção Alienígena, especialmente da agente Vermelha e seu assistente robótico que querem porque querem capturar o alienígena mirim.
Paralelamente a isso, o espectador acompanha a vontade do fazendeiro em lucrar com o modismo dos extraterrestres e suas ações para transformar a sede da fazenda em um parque temático com a realização de shows contendo alienígenas falsos no elenco.
Confesso que eu rolei de rir com algumas cenas ambientadas no espaço, como a que os personagens principais se deparam com um astronauta pintando externamente sua espaçonave e eles avariam sem querer o veículo. Ótima sacada de humor!
Outro ponto alto do filme é que ele é mudo e os personagens precisam comunicar sentimentos e opiniões somente através de gestos e expressões corporais e não através da fala e de discursos verborrágicos.
Somado a isso, “Shaun – o Carneiro, o Filme: A fazenda contra-ataca” também conta com uma trilha sonora com músicas chicletes que quando terminada a aventura você continua cantarolando-as, além de fazer um esforço para replicar a realidade, trabalhar com o humor nonsense e manter um ritmo de acontecimentos esperado para segurar a atenção dos pequenos espectadores.
Apesar disso, o roteiro da película não surpreende como em “A fuga das galinhas”, outro produto realizado pelo estúdio Aardman Animations, mas a aventura diverte, é criativa e desenvolve uma narrativa lúdica com toques de sutilezas e que modifica o estado de espírito e emocional de quem gosta de conferir animações. Destaque para o terceiro ato do filme ambientado na fazenda, com o show temático promovido pelo fazendeiro e que coloca o ponto final na narrativa de maneira mais alto astral possível!
Eu indico!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções