A marca Gucci subiu um tom em relação à apresentação da Dior vista na semana passada, pois o fashion filme criado pela grife para mostrar sua nova coleção de outono e inverno também construiu uma atmosfera festiva e de balada eletrônica, mas com o diferencial de não contar com convidados para efervescer ainda mais o evento.
Durante o show o que se pode notar foi o investimento da label em produções com ternos, pois várias facetas desta peça foram vistas, desde a aveludada, como a estampada, a colorida, a transpassada e com abotoamentos frontais, além da usada em parceria com bermudas ciclistas.
A ostentação da marca através da circulação de peças de roupas, bolsas e botas com a logomarca da Gucci estampada endossou o retorno da tendência de logomania que virou febre nos anos 90 e que agora está voltando com tudo!
Outro universo que serviu de inspiração para a grife foi o equestre, pois a presença de botas de montaria, calças justas, corseletes de couro ou estruturados, bem como camisas com seus colarinhos fechados, blazers retos e o uso de bonés agradaram os adeptos da atividade.
A estética de clubes e a descontração vista nos frequentadores de discotecas também marcaram pontos na apresentação da Gucci, pois peças de paetê e lantejoulas, além de saias plissadas reluzentes, rendas e o uso de chokers, maxi bijus, óculos hexagonais e piercings nos narizes remeteram à proposta inicial do desfile e às primeiras celebrações dos 100 anos da marca que será comemorada este ano e que também contará com o lançamento do filme “House of Gucci” com Lady Gaga e Adam Driver no elenco.
Já a marca Celine abaixou a frequência, apresentando sua coleção de outono e inverno em um espaço aberto e no castelo Vaux-le-Viconte, na França. E entre acordes extraídos de uma harpa, a grife mostrou peças usáveis e produções descontraídas criadas a partir de jeans, lãs, malhas, sobretudos feitos de tweed ou tecidos secos, além de casacos fofuchos.
O movimento aos looks urbanos veio com o acréscimo e o casamento com peças vaporosas, feitas de transparências, além dos plissados, das blusas com laços, dos bodies recortados, de peças de animal print e, novamente, do brilho dos paetês. Destaque para as saias armadas e bordadas com pedrarias que fecharam o show da Celine.
Enquanto isso, a marca Saint Laurent fez o inverso e criou uma narrativa virtual taciturna com a presença de artistas como Charlotte Gainsbourg, Julianne Moore, Chloé Sevigny, Indya Moore e Leo Reilly. E é claro que as ondas propagadas foram diferentes das obras citadas acima, pois a intenção do diretor Jim Jarmusch foi criar um clima melancólico, noir e que espelhasse o isolamento social e os momentos de solidão vividos por todos nós durante a pandemia.
Para isso, ele rodou o curta nas dependências de um restaurante vazio e sob o olhar de um garçom solitário. As cores dominantes da película foram as sóbrias como preto, branco e cinza, mas pontos luminosos pipocaram entre um take e outro com a presença de peças de tonalidades fortes como um conjunto vermelho ou uma calça pantacourt estampada, assim como um casaco de látex, plumas nos acabamentos de casacos e pelerines e, especialmente, o uso de acessórios dourados. Destaque para o colar de libélula e para o broche de camélia vistos.
Cada uma a sua maneira, as grifes estão mostrando ao publico consumir quais são as tendências e modismos do momento. Algumas ainda em descompasso e em ritmo desacelerado e outras com o som rasgando os ambientes no intuito de festejar o retorno da circulação pública, das atividades comerciais e dos festejos programados para o ano de 2021.
Foto e vídeos: reproduções