Meu coração veio na boca diante do desfile da Dior, realizado em Xangai (China) na última segunda-feira. Primeiro porque ele foi presencial e estava bombando de gente. Segundo porque o casting foi montado com modelos asiáticas. Terceiro porque a estilista Maria Grazia Chiuri homenageou três personalidades durante a apresentação da marca, sendo elas: o artista Andy Warhol, o empresário Elio Fiorucci e a musa Mitza Bricard, mas principalmente porque ela criou uma atmosfera disco para mostrar sua coleção de outono e inverno 2021/2022.
A sensação foi de imergir no musical da Donna Summer, tamanha a quantidade de referências estéticas da década de 70 e da Era Disco com a presença de peças em paetê e lantejoulas, cores cítricas, bem como xadrezes, o uso de lenços e boinas na cabeça, saias curtinhas pregueadas, saias godês, cinturas no lugar e marcadas com cintos finos, além de colarinhos fechados, jaquetas bombers, estampa de onça e tie-dye discreto.
No entanto, o que chamou a atenção foram as combinações feitas pela estilista para a ocasião, pois ela misturou várias peças como, por exemplo, saia de paetê com blusa de lã listrada ou vestido tomara-que-caia feito de tule aceso com as alças do sutiã à mostra, ou ainda, conjuntos de tie-dye, calças estilo Aladdin, capas de chuva feitas de tecidos impermeáveis, além de coletes com bolsos frontais grandiosos na cor prata.
Aliás, a tonalidade futurista foi a recorrente durante toda a apresentação da grife e apareceu não só em coletes, como também em macacões, saias e vestidos, além de fazer parte da decoração do show de moda com a presença de globos espelhados numa alusão às boates do passado.
Outra cor que fez várias entradas durante o desfile foi o amarelo e eu acredito que tenha dois motivos para isso. A principal delas talvez seja a mensagem transmitida pela estilista contra os episódios de racismo asiático que pipocaram nos últimos meses e depois da descoberta do coronavírus na Ásia. Já a segunda diz respeito ao espírito otimista de Maria Grazia em relação ao futuro da humanidade e que tende a voltar a ser ensolarado, com dias alegres e livres pós pandemia.
Outros destaques da apresentação foram a circulação de meias ¾ brancas, sapatos estilo boneca, coturnos, bolsas estruturadas, bonés estampados, além de vestidos vaporosos e o desfile de dois birotes no alto da cabeça das modelos.
Agora, a boa notícia é que com o avanço da vacinação mundial há a possibilidade das semanas de moda e as exposições fashion voltarem a acontecer presencialmente, assim como as festas do setor como o The Met Gala, baile organizado pela revista Vogue e que está programado para ocorrer em setembro no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque.
Paralelo a isso, também duas exposições de moda serão inauguradas no The Costume Institute. Elas foram batizadas de “América: A léxicon of fashion” e
“América: uma antologia da moda” e ambas permanecerão em cartaz até setembro de 2022.
O pontapé aos primeiros encontros e festejos presenciais foi dado pela marca Dior e a pergunta que não quer calar é: vocês não estavam com saudades do burburinho visto nos desfiles? Eu estava! E confesso que amei a vibe glamurosa, alto astral e brilhante criada pela label!
Beijos iluminados,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções