Baseado no romance “Good Morning, Midnight”, de Lily Brooks Dalton, o filme “O céu da meia noite” estreou no final do ano passado e parece ter sido feito sob encomenda para o momento porque ele retrata os estragos feitos pelo homem em relação à natureza.
A película é ambientada em 2049 e a Terra já não é um lugar habitável e seguro aos seres vivos, especialmente aos humanos, por isso logo nos primeiros minutos da obra o espectador acompanha a evasão das últimas pessoas do planeta rumo à Jupiter.
No entanto, um cientista é deixado para trás e seu nome é Augustine. Doente, ele opta por gozar de seus últimos dias de vida na base construída na Antártida e cumprir sua última missão de avisar os astronautas que estão viajando há mais de dois pelo espaço em busca de possíveis moradas para os terráqueos sobre a situação atual do planeta azul, impedindo-os de retornar para a Terra.
O maior desafio do protagonista é vencer as baixas temperaturas, as tempestades de neve, os lobos famintos, a falta de comida e remédios, além da solidão e partir para sua jornada de herói que terminará seu arco narrativo em outra base de pesquisa, onde a antena de transmissão e os demais aparelhos de comunicação local estão intactos, abrindo possibilidades para conexões com a tripulação da estação Aether.
O interessante de “O céu da meia noite” é que ele explora dois tipos distintos de cenários: o terrestre descrito acima e o espacial, com cenas gravadas dentro de uma estação de três andares e que ostenta design arrojado e diferente do visto em outros filmes que exploram a mesma temática.
Ao todo, cinco astronautas estão no comando da Aether. São eles: Sully (Felicity Jones), Adewole (David Oyelowo), Mitchell (Kyle Chandler), Sanchez (Demián Bichir) e Maya (Tiffany Boone), mas outros personagens flanam virtualmente pelo local, como seus familiares e pets na intenção de manter a sanidade do quinteto multirracial e fortalecer seus vínculos com a Terra.
Olha a representatividade aí, minha gente!
Outro ponto positivo do longa metragem é que ele mostra uma astronauta grávida no espaço e transforma o bebê em outro personagem da história porque ele recebe possíveis nomes, é visto através de um exame de ultrassom e seu nascimento carrega consigo uma mensagem esperançosa, pois a vida está pulsando dentro dela.
A atriz Felicity Jones estava realmente grávida quando gravou o filme, o que favoreceu a construção e caracterização de sua personagem. Outro fato interessante é que o ator David Oyelowo pediu para George Clooney, responsável também pela direção e produção da obra, que seu personagem fosse batizado com um nome tipicamente africano.
Agora, o destaque da película é sem dúvida alguma a atuação de George Clooney, envelhecido para o trabalho, e a interpretação entregue pela atriz mirim
Caoilinn Springall como Iris (personagem que não falarei para não dar spoilers). Alguns takes vistos na versão final do filme foram os gravados de primeira pela dupla e no inverno congelante islandês.
Tirei o chapéu para o designer de produção da obra e para seus efeitos visuais que, aliás, foram reconhecidos pela Academia e estará na briga pela estatueta dourada no final de abril.
O pecado de “O céu da meia noite” é que ele reproduz tempestades de meteoros, gotículas de sangre flutuando, assim como acidentes envolvendo astronautas que outros filmes já mostraram. Apesar disso, ele é uma reflexão a respeito do fim do mundo.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções