Pode isso, Oxigenadas? O mesmo filme ter indicações no Oscar e para a Framboesa de Ouro, cerimônia que premia as piores produções do ano? Acho que sim porque “Era uma vez um sonho” está no páreo nas duas ocasiões. No Oscar, a película está concorrendo nas categorias de melhor atriz coadjuvante com a atuação de Glenn Close e melhor maquiagem e cabelo. Já na festa que tem a intenção de manchar, literalmente, os currículos dos artistas, ela está disputando em três categorias distintas. São elas: pior atriz coadjuvante para Glenn Close, pior diretor para Ron Howard e pior roteiro.
Puxaaaado!
E será que a obra faz jus as suas indicações? A conclusão fica a cargo de cada uma de vocês, mas vamos aos comentários sobre o filme disponível na Netflix. Para início de conversa, ele acompanha o retorno de J.D. Vance (Owen Asztalos/Gabriel Basso) para sua cidade natal depois de ficar anos sem visitar sua família.
A rotina atual do protagonista é intensa, pois ele é estudante de direito na Universidade de Yale e precisa se virar nos 30 e ter três empregos diferentes para manter-se no local. E a pergunta que passa pela nossa mente é: o sacrifício é válido? Sempre!
Para fugir de episódios de violência doméstica, de humilhações e de uma enxurrada de problemas familiares oriundos de uma família disfuncional, vale qualquer coisa, até mesmo correr para bem longe e para onde ninguém o conhece. No entanto, por mais que ele queira afastar seu passado e descolar trechos de sua história pessoal, eles acabam vindo ao encontro do personagem principal.
Resultado dessa maldita tecnologia e de celulares que nos encontram em qualquer lugar que tenha um bom sinal, inclusive durante jantares formais e eventos sociais decisivos para o preenchimento de vagas de estágios universitários.
Para a surpresa de D. J., do outro lado da linha estava sua irmã Lindsay (Haley Bennett) informando-o de que a mãe deles tinha acabado de sofrer outra overdose de heroína e que ela precisava de sua ajuda para encontrar uma vaga em uma clínica de reabilitação ou em um hospital.
No caminho de volta para Ohio, o protagonista relembra passagens de sua infância, como os finais de semana passados próximos ao lago, a realização de churrascos e encontros familiares, bem como a vida nada pacata da família Vince porque apesar de viverem em uma cidadezinha do interior americano, o que eles não gozavam era de uma rotina pouca agitada.
E o mérito recai sobre Beverly (Amy Adams), mãe de J.D e Lindsay, mulher emocionalmente instável, viciada em drogas pesadas, inclusive bebidas alcóolicas, e que tenta ao longo da película manter-se ativa profissionalmente, cumprindo suas atividades de enfermeira em um dos hospitais locais.
Loucura, loucura, loucura….
Apesar disso, o porto seguro para as crianças acaba sendo Mamaw (Glenn Close), avó dos dois, que com falas impactantes e postura amorosa os ensinam sobre os laços familiares, sobre os desafios e oportunidades dados pela vida, sobre o futuro e a necessidade de sonhar com uma realidade diferente da atual.
Agora, não pensem vocês que a personagem é um doce de pessoa porque também não é! Para vocês terem ideia, ela ateou fogo no marido depois que ele chegou em casa trançando as pernas de bêbado e avançou para cima dela.
É! Cenas de violência gratuita e crua pipocam por toda a obra, mas o maior problema de “Era uma vez um sonho” é que o seu roteiro é previsível e não há o aprofundamento dos personagens como visto no livro homônimo em que o filme foi inspirado e onde é possível perceber os sentimentos confusos que orbitavam no entorno de J.D. durante sua infância, adolescência e início de sua fase adulta.
Outro ponto negativo da película recai sobre sua edição e montagem, pois há muitos cortes secos nesta, dificultando ainda mais sua digestão. Achei excessivo o make aplicado nas atrizes, especialmente em Glenn Close que precisa se esforçar para que o espectador a reconheça em baixo de tantas camadas de pancake e consiga captar algumas de suas expressões faciais.
Apesar disso, ela entrega uma boa atuação, mas esta não é merecedora de uma estatueta dourada. Aliás, tanto Glenn Close quanto Amy Adams já bateram na trave e foram indicadas várias vezes ao Oscar, porém nunca saíram premiadas.
“Era uma vez um sonho” conta a história de persistência de um homem comum em busca de melhores condições de vida e de como ele venceu através dos estudos, mas a aventura não é aquele tipo memorável e logo, logo cairá no esquecimento das espectadoras.
Sinceramente, eu achei um porre o filme e precisei dividi-lo em duas noites consecutivas para ter recursos para comenta-lo com vocês. Por mim, ele nem estaria figurando entre os concorrentes ao Oscar de 2021, mas com certeza ele tem seus méritos e a academia não os deixou passar despercebidos.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções