Comédia pastelão e humor absurdo? Sim! Nós temos este representante no Oscar de 2021. Trata-se do filme “Festival Eurovision da Canção: a saga de Sigrit e Lars” que, por sinal, está concorrendo no evento na categoria de melhor canção original com a música “Husavik”, de Molly Sandén e Will Ferrell.
A película acompanha a participação da banda islandesa Fire Saga, formada por Lars (Will Ferrell) e Sigrit (Rachel McAdams) no Festival Eurovision. Para quem desconhece a competição musical, ela acontece anualmente no velho continente e tem como objetivo revelar novos cantores e novos compositores ao mundo.
O evento costuma ser grandioso, reunir milhares de pessoas em estádios ou em frente aos aparelhos de TV para saber quem são os melhores de cada edição, assim como acontecia nos festivais brasileiros do passado.
Desde criança, o sonho de Lars é participar do encontro musical junto com sua amiga Sigrit. Todos os anos, eles enviam uma fita demo para os selecionadores locais, mas nunca foram ouvidos até que em um golpe de sorte ou a interferência dos Elfos (eles acreditam nos poderes dos seres diminutos), a dupla avança pelas eliminatórias ao lado de Katiana (Demi Lovato), principal aposta dos produtores musicais da Islândia.
No entanto, acontecimentos inesperados e acidentes envolvendo os participantes da edição atual alteram completamente as peças desse tabuleiro e o cenário desenhado anteriormente, pois Katiana está fora da disputa e Fire Saga será o representante do país gélido.
A verdade é que eles não têm nada a perder! Não possuem carreiras consolidadas, não tem contratos assinados com gravadoras locais, não são herdeiros musicais de ninguém e, muito menos, são exemplos para novas gerações de artistas porque passaram a vida inteira sendo ridicularizados pelos seus conterrâneos e sendo desacreditados por seus próprios familiares, especialmente Lars porque seu pai Erick (Pierce Brosnan) nunca apostou uma ficha sequer nos sonhos do filho e sempre zombou de suas fantasias musicais.
Paralelamente, os espectadores acompanham o desenrolar do romance entre Lars e Sigrit que até então não atava, nem desatava! Precisou da chegada e do interesse do cantor russo Dan Stevens (Alexander Lemtov) por Sigrit para que Lars acordasse para a realidade e percebesse quem era seu verdadeiro amor desde sempre.
Um dos pontos altos da aventura acontece durante a festa promovida por Alexander em sua casa, pois há uma batalha voluntária entre os convidados, onde alguns soltam suas vozes despretensiosamente diante dos presentes, cantando sucessos internacionais.
Outro destaque da obra são as piadas rápidas, as confusões que a dupla protagonista se mete durante as apresentações ao vivo, assim como as situações absurdas presentes nessa história de amor à música e ao poder que este tipo de arte exerce sobre as pessoas.
A seu favor, o filme também conta com dois atores com química em cena. E apesar do ator Will Ferrell ser um dos roteiristas do longa-metragem e um dos maiores comediantes da atualidade, eu achei que a fantasia de Lars não lhe caiu bem e que a atriz Rachel McAdams construiu sua personagem com mais sensibilidade e naturalidade que o seu colega de profissão.
Apesar disso, a voz ouvida durante a cantoria sob os holofotes não é a dela e sim da cantora e compositora Molly Sandén, profissional responsável pela criação da música principal que embala esta comédia indicada para levantar o astral de quem está cabisbaixo e sem voz diante dos atuais números de infectados e mortos pelo coronavírus no Brasil.
Confesso que prefiro e estou na torcida pela música Io Si (seen), do filme “Rosa e Momo”, entoada pela voz de Laura Pausini, mas quem irá decidir sobre o assunto é o júri selecionado para trabalhar na ocasião, então para as que desejam levantar o astral, para as que desejam dar boas risadas e para as que estão em busca de diversão ingênua e leve, eu indico conferir ao “Festival Eurovision da Canção”.
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções