Os indicados ao Oscar 2021 já foram divulgados e dentre eles está “Pieces of a Woman”, película protagonizada pela atriz Vanessa Kirby. Ao lado de Viola Davis (A voz suprema do blues), Andra Day (Estados Unidos Vs. Billie Holiday), Frances McDormand (Nomadland) e Carey Mulligan (Bela Vingança), a artista concorre como melhor atriz durante o evento que será realizado em abril.
O título do filme não foi traduzido para o português, mas se fosse seria algo do tipo “Pedaços de uma mulher”, pois Martha (Vanessa Kirby) precisa juntar seus caquinhos depois da morte prematura de sua filha Yvett.
A primeira trinca em sua história pessoal surge após a parteira que acompanhou o seu pré-natal não estar presente durante o parto e enviar uma substituta à casa da personagem, pois Martha e Sean (Shia LaBeouf) decidiram ter sua filha na sua própria residência.
O segundo racho pode ser percebido pelos espectadores diante do sofrimento de Martha, pois ela ficou em trabalho de parto por horas, teve dores latentes, muitas ânsias de vômito, bem como desconfortos em relação ao local da realização do parto que começou no chão da sala, perpassou pela banheira e culminou na cama do casal.
O espatifar emocional da protagonista acontece alguns segundos depois da chegada de Yvett e após a parteira (Molly Parker) perceber que a criança estava roxa e asfixiada nos braços da própria mãe.
Daí para frente vocês já imaginam o que aconteceu, né!? Um corre-corre para chamar os bombeiros e reanimar a pequena e a instalação de um breu completo e posterior na vida do casal.
Tudo o que foi descrito acima é a abertura da obra e soma 30 minutos. Somente depois é que seu título é visualizado pelos espectadores e nós começamos a acompanhar o luto familiar, o reflexo dessa tragédia na vida de todos os envolvidos e o desenrolar desse drama que acaba chegando aos tribunais, pois Elizabeth (Ellen Burstyn), mãe controladora de Martha, entra com um processo juntamente com Sean contra a parteira e o caso ganha espaço na mídia.
No entanto, os cacos resultantes do episódio ficam cada vez mais distantes uns dos outros dificultando as tentativas de colagem com a falta de tato e sensibilidade de Sean em relação à esposa, além de sua recaída ao álcool, as dificuldades do casal em resgatar sua vida sexual e a frieza de Martha ao retornar ao trabalho poucos dias após sua perda, bem como a sua decisão de doar os órgãos e o corpo da filha para a ciência e para uma faculdade de medicina local ao invés de enterrá-lo.
Agora, o interessante da narrativa é que ela faz comparações entre o estado de espírito, especialmente da protagonista com as estações do ano, evidenciando a passagem do tempo e a evolução do luto desta conforme o transcorrer dos meses e da visualização da construção de uma ponte na cidade em que a história é ambientada e na qual Sean trabalhava.
Outro ponto positivo do longa-metragem além de acompanhar a história de superação da personagem feminina é observar as mudanças no trajeto dessa aventura, especialmente as surpresas reservadas aos espectadores em seus minutos finais e com o desfecho da narrativa que insinua o germinar de uma vida nova para os personagens principais.
“Pieces of a Woman” foi dirigido por Kornél Mundruczó e seu elenco ainda conta com as participações de Iliza Shlesinger, Sarah Snook, Ben Safdie, Jimmie Fails, Domenic Di Rosa, Frank Schorpion, Leisa Reid, Harry Standjofski, Gayle Garfinkle e Noel Burton.
Apesar disso, quem brilha do início ao fim é a atriz Vanessa Kirby que consegue criar várias camadas para sua Martha e dá um show interpretativo inclusive em momentos silenciosos, quando vaga pelos cômodos da casa de sua mãe ou em cenas de confronto com a atriz Molley Parker, onde a tensão das personagens é percebida no pulsar das carótidas de ambas.
O problema é que talvez ela seja prejudicada durante a cerimônia do Oscar e veja a estatueta dourada escorrer através dos dedos devido as atuais acusações de violência sexual e abusos sofridas pelo ator Shia LaBeouf por suas ex-namoradas.
“Pieces of a Woman” é sim um filme triste, deprê e de difícil digestão, mas a seu favor ele tem uma protagonista que segura a onda do começo ao fim, assim como uma história que foca em um luto pouco retratado no cinema e que é o de pós-parto.
Eu gostei!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções