Pensem numa mulher escrota! Imaginaram? Então, agora vocês multipliquem a fantasia por 10 e você chegará a Marla Grayson (Rosamund Pike). Logo de cara o espectador percebe que a bonita não é flor que se cheire, pois mesmo diante do juiz Lomax (Isiah Whitlock Jr) ela ostenta um risinho cínico.
A protagonista da obra é aquele tipo de mulher inteligente, articulada, estrategista e despudorada que não se importa em prejudicar pessoas inocentes para alcançar seus objetivos financeiros e pessoais. E quais são eles?
A personagem é tutora de idosos, trabalha para o Estado americano e não vê problemas em roubar e vender os bens dessas pessoas após atestar falsamente que são incapazes de gerir suas próprias vidas, especialmente a financeira, internando-os em asilos e hospitais psiquiátricos.
É claro que ela não age sozinha e sua equipe é composta pela namorada Fran (Eiza Gonzales) e pela Dra. Amos (Alicia Witt), responsável pelo feitio de laudos e pareceres de saúde de cada uma das vítimas escolhidas.
O problema começa depois que a médica comenta com Marla sobre a existência de Jeniffer Peterson (Diane West), mulher solitária, sem filhos ou familiares vivos, ou seja, a vítima perfeita para a aplicação do golpe. Rapidamente, Marla fecha o cerco no entorno da personagem coadjuvante e toma posse de todos os seus bens, inclusive os guardados em cofres bancários.
Agora, a película começa a ganhar graça e ritmo depois da entrada em cena do mafioso russo Roman Lunyov (Peter Dinkage), pois o personagem tem uma relação afetuosa com Jeniffer e não deixará barato o episódio.
Em um primeiro momento, ele segue as vias legais e entra com um processo jurídico contra o escritório representado por Marla, mas as palavras de defesa proferidas pelo advogado Dean Ericson (Chris Messina) diante da corte e do juiz Lomax não são levadas em consideração e eles acabam perdendo o caso.
Paralelamente, o bandidão começa uma perseguição bem ao estilo gato e rato atrás de Marla e é aí que o espectador fica diante de sessões de torturas, de cenas absurdas e de muita ação, pois a narrativa abandona os diálogos afiados encontrados na primeira parte do filme em prol do combo principal de um thriller, ou seja, gênero de película que usa o suspense, a tensão e a excitação para prender a atenção do espectador.
E o que eu posso dizer é que a protagonista é uma gatuna e tem sete vidas porque quando a gente pensa que ela já era, a mulher ressurge do nada para atazanar os demais personagens envolvidos na trama, provando que as mulheres podem tudo, inclusive ocupar postos de grandes vilãs de roteiros cinematográficos.
O desfecho da narrativa não chega a surpreender cinéfilos, mas foi uma escolha interessante feita pelo diretor J. Blakeson, especialmente porque ele resgatou personagens esquecidos da história, ambientou a última cena em um espaço externo e trocou a pele de loba da protagonista por outra de cordeiro.
A atriz Rosamund Pike entrega uma boa atuação, tanto que ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia e musical no início deste mês. No entanto, ela não apresenta interpretação semelhante à vista em “Garota Exemplar”, mas reafirma sua potência para a construção de boas vilãs.
É possível vê-la em outras produções, tais como: “007- Um novo dia para morrer”, “O Libertino”, “Orgulho e Preconceito”, “Um crime de mestre”, “Jack Reacher – O último tiro”, “Beirute – O resgate”, “Sede de vingança”, “Segredos Obscuros”, “Hector e a procura da felicidade”, “Hostis”, “Fúria de Titãs 2”, entre outros filmes.
As várias facetas da atriz estão aos poucos sendo reveladas e conhecidas pelo público, inclusive a de fashionista porque Rosamund Pike recebeu seu Globo de Ouro a bordo de um vestido vermelho com saia enorme construída com várias camadas de tule da marca Molly Goddard e fechou o look festivo com coturnos pretos e um cabelinho estilo chanel escuro e esvoaçante.
Para quem curte ficar diante de personagens desbocados, carismáticos, cínicos e sem compaixão alguma, eu indico assistir “Eu me importo” e se esbaldar com a vilania perspicaz de Marla.
Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções