Vocês sabem o que mais tem me atraído para assistir as séries mexicanas? As confusões e mal-entendidos presentes nelas e a identificação com os dramas vividos pelos personagens, pois o México tem uma cultura solar e voltada ao externo assim como o Brasil. Primeiro me apaixonei por “100 dias para enamorarmos” e agora por “Mãe só tem duas”.
A maternidade é o tema central da obra porque as protagonistas Ana (Ludwika Paleta) e Mariana (Paulina Goto) tiveram suas filhas trocadas na maternidade no dia de seus partos e após quatro meses, elas descobrem o erro praticado pela enfermeira local que confundiu as pulseirinhas de identificação de Regina e Valentina.
O problema é que as duas mães já se apegaram às crianças e resistem em devolvê-las, então a solução proposta por Ana é de que Mariana passe um tempo em sua casa até sua filha legítima ter desmamado por completo da mãe de leite e para que as duas possam acompanhar o desenvolvimento das crianças conjuntamente.
Isso é bemmm conveniente para Ana porque ela é uma executiva ocupadíssima e que não tem tempo para nada, muito menos para sua recém nascida ou para seus outros dois filhos Ceci (Dalexa Meneses) e Rodrigo (Emilio Beltrán Ulrich). Ela delega suas responsabilidades às empregadas, babás e para seu marido Juan Carlos (Martín Altomaro), outro que sofre com sua ausência.
Já os dramas de Mariana são outros, pois ela é uma estudante universitária que precisa trancar seu curso depois do nascimento da filha, bem como criar a menina sozinha, pois Pablo (Javier Ponce), pai da criança, a abandonou nos primeiros meses de gravidez. Além disso, sua família vive na quebradeira, sem dinheiro para nada e a personagem permanece na sombra por não saber quem é seu pai verdadeiro.
Para enriquecer a narrativa, alguns dos personagens se envolvem em casos extraconjugais, outros em brigas judiciais, mas o interessante é que a obra também aborda outros assuntos como a bissexualidade de Mariana, sua relação com Elena (Oka Giner) e a retomada da vida sexual das duas protagonistas após terem filhos, inclusive as inseguranças existentes em relação aos seus próprios corpos.
A primeira temporada de “Mãe só tem duas” possui nove episódios com duração entre 30 e 40 minutos cada e apesar dos encontros com os espectadores serem rápidos, mesmo assim alguns deles apresentam pequenas barrigas narrativas, onde o ritmo é inferior ao esperado.
Em contrapartida, a série conta com um elenco afinado, com cumplicidade cênica, especialmente as atrizes Paulina Goto e Ludwika Paleta, além de boas caracterizações de personagens e uma fotografia que flana por ambientes internos e que aproveita com sabedoria da luz solar presente em países tropicais.
A segunda temporada da série ainda não foi confirmada pela plataforma Netflix, mas a primeira terminou criando gancho para uma próxima contendo outros tipos de dilemas além dos relacionamentos familiares, tais como os de saúde, financeiros e obstáculos de ordem prática da vida.
Para quem deseja acompanhar uma série leve e divertida na intenção de desopilar no final do dia ou antes de dormir, então “Mãe só tem duas” é a minha sugestão para o momento atual.
Eu gostei!

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções