A pandemia provocada pelo Coronavírus está completando seu primeiro aniversário ativa e com energia e disposição para atravessar 2021. Já o vírus continua fazendo questão de duelar com cientistas e pesquisadores da área da saúde, além de medir forças e externar seu potencial de multiplicação, bem como seus disfarces no intuito de permanecer circulando entre nós.
Os embates vistos no faroeste “Relatos do Mundo” é outro e diz respeito aos mandos e desmandos do presidente Ulysses S. Grant em relação à escravidão, pois ela foi abolida nos Estados Unidos e segundo ele os direitos trabalhistas e humanitários de negros e afrodescendentes deveriam ser respeitados por todos os fazendeiros, senhores e cidadãos americanos.
Figuras como o ex-capitão Jefferson Kyle Kidd (Tom Hanks) existiam na época em que a película é ambientada (1870) para conscientizar as pessoas sobre o que estava acontecendo pelo mundo, pois ele viajava de cidade em cidade com o intuito de ler as notícias dos principais jornais e publicações para quem estivesse disposto a pagar $ 1 dólar para ouvi-las.
Aos poucos, o espectador fica sabendo que o personagem principal é um veterano de guerra, lutou na Guerra da Secessão e viu e praticou coisas horríveis enquanto ostentava sua farda militar e defendia seu país, mas no momento era um combatente das notícias falsas ou fake news.
E durante suas andanças por regiões áridas e desérticas, seu destino acaba cruzando com o da menina Johanna (Helena Zengel), de 12 anos. Ela foi sequestrada por uma tribo indígena chamada Kiowa depois que os nativos mataram seus pais, permanecendo na aldeia até o dia em que esta foi atacada e exterminada por homens brancos.
O capitão a encontra no meio do mato, assustada e resolve levá-la para a casa de seus tios alemães, únicos parentes vivos de Helena. O problema é que a propriedade deles fica a 600 km dali, iniciando com isso sua jornada de herói com o objetivo de proteger a personagem feminina ao longo do deserto.
O interessante é que os dois não falam a mesma língua, mas precisam estabelecer outro tipo de comunicação que seja pautada nas trocas de olhares, nos gestuais, na presença do silêncio para poderem se entender e avançar com a aventura.
“Relatos do Mundo” é sim um road movie, mas rodado em cima de rodas de carroças e tendo os cavalos como sua força motriz. Ao longo do percurso, a dupla enfrenta ladrões, bandidos e até bate de frente com autoridades para alcançar o ponto de chegada programado.
E apesar dos personagens principais terem idades e histórias de vida completamente diferentes, eles comungam da necessidade de abandonar e similar as perdas do passado para seguirem em frente, construindo uma nova realidade para si.
“Relatos do Mundo” está concorrendo em duas categorias distintas no Globo de Ouro de 2021. A atriz Helena Zengel como melhor atriz coadjuvante de filmes, além da obra estar disputando a estatueta de melhor trilha sonora.
O fato é que o trabalho interpretativo desenvolvido pela atriz não foi fácil e ele foi construído com gestos minimalistas, com olhares expressivos e com muita contenção corporal; o que é admirável por sinal. No entanto e apesar da forte presença cênica, o ator Tom Hanks oferece aos espectadores uma interpretação sem surpresas dramáticas ou digna de coroação como já aconteceu em outros trabalhos seus.
Para quem deseja matar as saudades de assistir a um bom faroeste, eu indico a película porque ela conta com a reiteração de vilões e mocinhos. Apesar disso, ela não possui duelos sanguinolentos na disputa por terras ou pela exploração de ouro e outras riquezas locais como o petróleo.
Até a próxima aventura,

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções