Todo ano tem um filme que recebe várias nomeações nas premiações como Globo de Ouro, Oscar, SAG Awards, Bafta, Festival de Cannes, entre outras cerimônias que reconhecem as melhores películas feitas no período anterior. Este ano é “Mank”, filme em branco e preto que aborda a vida do roteirista e chefe dos estúdios Paramount Herman J. Mankiewicz (Garry Oldman).
Ao todo, “Mank” recebeu seis indicações distintas para o Globo de Ouro. São elas: melhor filme, melhor direção (David Fincher), melhor ator de filme dramático (Garry Oldman), melhor atriz coadjuvante (Amanda Seyfried), melhor roteiro e melhor trilha sonora.
A obra é ambientada no início da década de 40 e acompanha o trabalho de Mank para escrever o roteiro do longa-metragem “Cidadão Kane” em apenas 60 dias. Para isso, ele se isola no rancho Victorville na companhia de sua secretária e datilógrafa Rita Alexander (Lilly Collins) e de uma enfermeira, pois estava com suas pernas quebradas em decorrência de um acidente de carro sofrido.
E como se não bastasse tal situação, o personagem ainda precisa lidar com as pressões feitas pelo roteirista novato Olson Welles (Tom Burke) em colocar ponto final na obra dentro do prazo estipulado e ostentar seu nome como co-autor da mesma. Olha só que espertinho!
De início, Mank se abstém de receber os louros pelo seu trabalho como fez com o “O mágico de Oz”, outra película bem sucedida escrita por ele, mas com o passar das semanas ele finca o pé, exigindo a presença de seu nome nos créditos finais. O roteirista transforma-se em pessoa non grata dentro dos estúdios e entre os fundadores e funcionários da Paramount.
Muitos o consideram um gênio injustiçado na época, enquanto outros apenas um homem sarcástico e viciado em álcool. Agora, o mais bacana de “Mank” é que ele é um filme que fala sobre outro filme feito e toca em várias temáticas que rondam Hollywood, como o jogo de poder existente no local, os sucessos e fracassos artísticos, os vícios das celebridades e atores, bem como a manipulação da mídia feita pelos poderosos desses locais e as opressões e dinâmicas vividas pelos profissionais de apoio e técnicos atuantes dentro dos estúdios e que ajudam a magia do cinema acontecer.
Destaque para a cena de embate entre Mank e o magnata William Hearst (Charles Dance) durante um jantar promovido pelo segundo em que o primeiro chega completamente embriagado e dá um show diante de todos os convidados presentes.
Aos poucos, “Mank” vai desconstruindo e retratando acontecimentos da história real, inclusive a participação de Olson Welles na produção de “Cidadão kane”, película vencedora do Oscar de melhor roteiro em 1942.
Outro fato que chama a atenção do espectador é a fotografia do filme rodado em branco e preto e que ficou a cargo de Erik Messerschmidt. Ela foi construída com uma iluminação de cair o queixo e contrastes visuais para dar a sensação de fluidez de leveza às cenas. Além disso, reconheço a atitude do diretor David Fincher de concluir o trabalho iniciado pelo seu pai Jack Fincher no feitio das costuras do roteiro original, assim como ter demostrado seu interesse aos executivos da Netflix de rodar uma película sobre uma figura importante para a indústria cinematográfica.
Agora, muitos dos méritos de “Mank” recaem sobre a atuação do ator Gary Oldman que mais uma vez reafirmou seu talento para a construção de um personagem bagaceira e ao mesmo tempo adorável! Ele é um forte candidato a levar para casa o globo dourado no próximo dia 28 de fevereiro.
Para quem é apaixonado por cinema e tem a intenção de conhecer outra faceta de sua Era de Ouro, então “Mank” é o filme ideal para matar essa vontade e ainda ficar diante de um belo trabalho de reconstituição de época, inclusive através de figurinos glamurosos desfilados por atrizes do alto escalão dos estúdios americanos.
Eu adorei!

Maria Oxigenada
Foto vídeo: reproduções