Depois que foi descoberta, a fórmula está sendo repetida em 2021, ou seja, as marcas e estilistas internacionais estão apostando novamente em fashion filmes ou na realização de desfiles virtuais para apresentarem suas novas coleções e ideias.
E o mote e as inspirações para a primavera e verão continuam sendo viagens pós-pandemia, inclusive as realizadas nas profundezas dos mares, além de reuniões familiares, confraternizações, sonhos não vividos e, é claro, sobre o futuro e o destino de nações e da humanidade.
A grife Dior foi quem abriu a temporada jogando as cartas de tarô e criando uma coleção baseada nos arcanos maiores, ou seja, nas 22 cartas do baralho que escondem os mais profundos segredos do homem. Para isso, uma atmosfera misteriosa foi criada na obra e no entorno da protagonista que foi em busca de sua própria identidade e de respostas fornecidas pelo jogo.
Como era de se prever, a apresentação contou com capas bordadas e com plumas, saias volumosas, rendas com aplicações, drapeados, barras com franjas, mangas morcego, coletes trabalhados, tiaras e coroas, luvas, véus, perucas coloridas, mas também em formatos exóticos como chifres e da lua, assim como peças feitas de jacquards, lamês e guipure.
A marca Schiaparelli respondeu a altura a concorrência e mostrou uma coleção maximizada, ou seja, com peças com laços enormes, feitas de canutilhos, caudas longas, decotes vertiginosos, além de acessórios grandiosos e geométricos como os brincos. Destaque para as bolsas e colares no formato de cadeados.
Já a label Valentino seguiu a mesma toada exagerada da marca anterior, apresentando sobretudos e capas com metros a mais de tecidos, drapeados, maxi bolsos quadrados frontais, brilhos obtidos pelo uso de paetês, além do subterfúgio da criação de pontos de luz com a exploração de tonalidades como laranja, amarelo, verde limão, dourado, cobre e pink.
Aliás, o rosa continua com tudo e apareceu não só no show de Valentino, como também no de Schiaparelli, Giambattista Valli, Chanel e Giorgio Armani. Algumas vezes ele reinou absoluto, mas em outras ele dividiu os holofotes com outras cores neutras, tais como: cinza, preto, gelo e branco.
Na contramão da tendência, a grife Iris Van Herpen apostou no azul, na prata e no degradê para mergulhar nas belezas aquáticas de espécies existentes neste habitat. E com a intenção de criar uma aparência ora vaporosa, ora simétrica, a label recorreu aos cortes a laser. Destaque para os sapatos com barbatanas nas laterais, para as réplicas de escamas grandiosas ou para cópias dos couros de peixes.
Enquanto isso, a viagem de Giambattista Valli foi pela flora através de máscaras e bordados de folhas e flores, bem como plumas fixas em punhos, nas mangas sino e nas barras, além de saias godês armadas com várias camadas de tules ou babados, túnicas e poás rosados na intenção de tocar os espectadores com a delicadeza das formas e dos movimentos presentes na natureza.
A Chanel vibrou na mesma frequência naturalista e organizou um casamento no campo. Na verdade, o espetáculo aconteceu no Grand Palais des Champs-Elysées (Paris), mas contou com a entrada triunfal da noiva em cima de um cavalo branco e ostentando um vestido reto, longo, com gola padre e abotoamento frontal. As modelos desfilaram por um tapete feito com pétalas de rosas brancas que circundava todo o pátio externo do palácio.
A novidade da vez foi o efeito vazado de algumas peças, revelando parte da pele de algumas das modeletes, bem como a presença de barras com babados com inspirações florais, das camisas sociais brancas, dos colarinhos lacrados e de sapatos estilo Mary-Jane.
O tom over e excessivo foi a tônica do desfile de Alexandre Vauthier, pois a marca olhou para as décadas de 80 e 90 para criar peças brilhantes, com maxi volumes, decotes abusivos, babados mil, além de produções em couro, macacões e calças Alladin.
“Looks absurdos”, com a explosão de cores, texturas e pesos foram mostrados pela marca Viktor & Rolf porque a grife pesou a mão na parte inferior de alguns deles com saias volumosas feitas com camadas de babados e tules usadas em parceria com tops cropped e bustiês cravejados de informações.
Outra marca que não se intimidou e colocou as curvas femininas para jogo foi a Giorgio Armani através de frentes únicas, de vestidos tomara-que-caia, capas transparentes, ternos metalizados, shapes ajustados e decotes em V. Vez ou outra, a label cobriu os corpos por baixo de bordados, brocados, plissados e golas laços. Destaque para o vestido tomara-que-caia vermelho com uma flor de tecido próxima ao colo feminino.
Agora, vários fatores chamaram a atenção no desfile da Fendi: a estreia do estilista Kim Jones, a participação de celebridades e modelos com anos de passarela como a atriz Demi Moore (ostentando um sorriso de Coringa), Naomi Campbell, Bella Hadid, Cara Delevingne, Lila Grace (filha de Kate Moss), Adwoa Aboah e Kate Moss que flanaram em cima de luzes brancas e através de espelhos até encontrarem suas próprias vitrines fashion.
Já em relação às produções, o efeito marmorizado visto foi o diferencial do momento, assim como as peças criadas a partir de flores bordadas ou de outras tendo como alicerces os tecidos transparentes para as aplicações de pérolas ou metais. O estilista Kim Jones também fez questão de trabalhar em prol da fluidez de gêneros, quebrando a dicotomia de que somente as mulheres têm condições de segurar vestidos e saias.
A verdade é que a temporada de desfiles internacionais está só começando, mas deu para nós termos aquele gostinho do que será usado durante as próximas estações, especialmente na primavera e verão europeu, e ainda ficarmos com aquela vontade de sabermos quais dessas tendencias terão a sorte de vingar por aqui. Será que as cartas de tarô podem nos adiantar algo?
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto e vídeos: reproduções