Olha só que interessante! Uma série britânica ambientada no século XIX e no período da regência caiu nas graças dos brasileiros e de pessoas de outras nacionalidades no último final de ano.
Baseada no livro “O Duque e Eu”, de Julia Quinn, a história foi adaptada para a televisão por Shonda Rhimes e acompanha o despertar sexual de muitas moçoilas, além de retratar a repressão feminina da época, os ciúmes entre irmãos e, principalmente, a temporada de “caça” promovida anualmente pela rainha Charlotte (Golda Rosheuvel).
É! A mulherada não tinha vergonha alguma de “montar no jegue” para correr atrás do melhor partido do período e gastavam horrores com vestidos e sapatos novos para deixar seus pretendentes de queixos caídos durante os bailes promovidos pela realeza.
A série começa com a protagonista Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) caindo nas graças da monarca e se transformando no target principal da rapaziada, inclusive de um príncipe. O problema é que seu irmão Anthony (Jonathan Bailey) faz o favor de jogar lama na maioria dos encontros amorosos da mocinha, além de rejeitar bons pretendentes com a desculpa de valorizar o passe da bonita. Pode isso, gente?
Nesse interim, os membros da corte ficam ouriçados com a visita do Duque de Hastings ou Simon Basset (Regé-Jean Page) e as mães casamenteiras encontram a oportunidade perfeita para desencalhar suas filhas em grande estilo, pois o galã é dono de uma fortuna inestimável.
Então, Daphne e Simon simulam interesse um pelo outro para acalmar os ânimos da galera e para a alegria de Lady Danbury (Adjoa Andoh), mulher responsável pela criação do personagem principal masculino, e Violet Bridgerton (Ruth Gemmel), mãe da protagonista feminina.
E apesar dos ambientes refinados retratados, a rádio peão marca presença na corte através das publicações da misteriosa Lady Whistledow (Julie Andrews) que coloca à sociedade inglesa a par das últimas fofocas e acontecimentos ocorridos dentro dos palácios e mansões.
Paralelamente, a autora presenteia os espectadores com o desenrolar de narrativas envolvendo personagens secundários como Eloise (Claudia Jessie), irmã mais nova de Daphne, feminista de carteirinha que deseja estudar ao invés de se casar e ter filhos, além de gozar dos mesmos direitos dos homens.
Outro personagem que tem tudo para ganhar a simpatia do público nas próximas temporadas é Benedict Bridgerton (Luke Thompson), pois é um artista nato, convive com pessoas cultas e arrojadas, além de não ter medo de se jogar em relacionamentos frugais.
Gosto também das surpresas reveladas já na primeira temporada da série sobre a personagem Penelope Featherington (Nicola Coughlan), melhor amiga de Eloise e vizinha da família Bridgerton. Inteligente, porém tímida, ela nutre uma paixonite por Colin Bridgerton (Luke Newton) desde a infância, mas não consegue se declarar para seu melhor amigo. No entanto, a personagem faz parte do núcleo cômico da série, possui duas irmãs e uma mãe bagaceiras e se vê fazendo parte das maiores presepadas da obra.
Uma delas envolve Marina (Ruby Barker), prima distante da família Feathering e que chegou em Londres para agitar a temporada de festas aristocráticas, criando uma rixa invisível com Daphne. O que ninguém sabe é que a personagem carrega um segredo consigo, mas este só é revelado com o passar dos episódios.
Credito o sucesso da primeira temporada de “Bridgerton” a vários fatores. São eles: a química do casal protagonista, a boa cenografia e reconstituição de época, assim como ao ótimo figurino composto com corseletes, capas, luvas de cetim natural, além de peças bordadas, lenços de seda, saias volumosas, bem como perucas, coroas e tiaras, pérolas e bijus de strass e do uso indiscriminado de make natural e discreto ostentado pelas mulheres criado com poucas camadas de corretivos, sem traços marcantes ou cores, somente uma iluminação facial feita com blushes e batons rosados.
A sua trilha sonora também colabora e muito para o envolvimento dos espectadores na trama e ela foi construída com músicas de Ariana Grande, Taylor Swift, Maroon 5, Kris Bowers, além de canções do grupo instrumental Vitamin String Quartet e outros artistas. Lindíssima!
Agora, com certeza o fator que catapultou a série foi trabalhar a representatividade nesta, pois atores negros aparecem em papéis de destaque, como o protagonista masculino (Regé-Jean Page), a rainha da Inglaterra (Golda Rosheuvel), a aristocrata Lady Danbury (Adjoa Andoh) e a burguesa Marina (Ruby Barker).
E apesar de “Bridgerton” ser uma obra ambientada no passado, ela está envolvida em uma névoa de mistério e suspense, além de contar com um fio condutor romântico e que também ostenta cenas quentes, nada pudicas, que estimulam a imaginação e desejos dos espectadores em saber mais sobre os costumes e comportamentos do século XIX, além dos personagens presentes.
Eu gostei.

Maria Oxigenada

Foto e vídeo: reproduções