A maratona de filmes natalinos está cruzando a linha de chegada com uma produção nacional. “Tudo bem no Natal que vem” é o primeiro filme do gênero feito no Brasil, foi dirigido por Roberto Santucci e é estrelado pelo ator e comediante Leandro Hassum.
E de todos as películas comentadas nesse espaço sobre a temática, este é aquele tipo de fácil identificação, pois ela está ambientada na cidade do Rio de Janeiro, em uma família de classe média e conta com passagens e piadas reconhecíveis a qualquer brasileiro.
Se vocês estão imaginando se haverá cenas descrevendo o calor infernal enfrentado por nós nessa época do ano? Eu adianto que sim, assim como tem o retrato do stress sentido por quem vai as compras nas vésperas das festas, além da divisão entre familiares dos pratos que compõem a ceia natalina, a presença de piadinhas feitas com alguns deles, bem como os arranca-rabos familiares sempre presentes na ocasião e, é claro, o acompanhamento do especial de Natal protagonizado pelo rei Roberto Carlos.
O combo está completo e com o plus do protagonista da obra chamado Jorge (Leandro Hassum) também ser o aniversariante do dia. O personagem odeia a data e não é difícil de imaginar os motivos disso, né!? A concorrência é desleal, por isso ele passa a juventude e mocidade ignorando os festejos e viajando com a galera.
No entanto, a tradição muda depois que ele se casa com Laura (Elisa Pinheiro) e com ela tem dois filhos: Leo (Miguel Rômulo) e Aninha (Arianne Botelho). Por eles, Jorge engole seco e suporta a tradicional “farofada” natalina.
O problema é que no Natal de 2010 em uma tentativa de assumir o papel do bom velhinho diante das crianças ele cai do telhado, perde a consciência e a memória de um ano inteiro.
Jorge só descobre o que aconteceu no dia 24 de dezembro de 2011 através de Laura, pois é a esposa quem o coloca a par das novidades e dos acontecimentos dos meses anteriores. A partir de então, o personagem principal tem consciência somente do que rolou no dia anterior de seu nascimento e percebe as similaridades das comemorações mesmo com o passar dos anos.
A grande diferença entre “Tudo bem no Natal que vem” e outras obras americanas, como “Click”, “Feitiço do tempo”, “A felicidade não se compra” é que o protagonista não fica preso no tempo, revivendo sempre o mesmo dia. Ao contrário, a folhinha corre para Jorge e a cada abertura de olhos depois de uma noite bem dormida, ele está em um ano diferente, lidando com situações e dramas distintos junto ao seu núcleo familiar.
Um deles é a descoberta de uma amante chamada Márcia (Danielle Winits) que propõe uma rotina completamente diferente ao que o personagem estava acostumado na ocasião, mas a obra também abre espaço para que o protagonista desfrute de alegrias como o de tornar-se avô.
A graça da película está nas reviravoltas existentes em sua narrativa, na tiração de onda realizada pelo roteirista Paulo Cursino sob os holofotes e nas caras e bocas feitas por Leandro Hassum. Apesar disso, a história contada possui falhas e não explica o que acontece na vida de Jorge nos outros 364 dias do ano e nem os motivos pelo qual o personagem não faz um diário pessoal para tomar ciência de suas próprias trapalhadas.
Outro problema é que o espectador não visualiza as evoluções tecnológicas com o passar do tempo fictício e nem escuta citações a respeito do desenvolvimento científico do momento. Apesar disso, eu rolei de rir com algumas cenas e me comovi em outras porque nos minutos finais da trama há uma apelação emocional na intenção de aprofundar a empatia criada pelos espectadores em relação ao quarteto principal.
“Tudo bem no Natal que vem” tem o mérito de engatar uma trajetória bem sucedida entre os filmes que aborda a temática, pois já é um dos filmes mais vistos na plataforma Netflix atualmente e está apresentando ao mundo um Natal colorido e caloroso, sem a presença de neve, baixas temperaturas e tempestades que assolam o hemisfério norte nesta época do ano.
Eu indico.
Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções