Uma brisa artística e de alegria soprou em minha vida depois de nove meses sem visitar uma única exposição artística. Eu fui correr no Parque do Ibirapuera e percebi que o Pavilhão Ciccillo Matarazzo estava aberto e abrigando a mostra “Vento”.
Na verdade, ela serve como um petisco para a Bienal “Faz escuro mas eu canto” que foi adiada para o segundo semestre de 2021. Ao todo, são 21 artistas participantes de “Vento”. São eles: Alice Shintami, Ana Adamovic´, Antônio Dias, Clara Iami, Edurne Rubio, Eleonore Koch, Gala Porras-Kim, Jacqueline Mova, Jaider Esbell, Joan Jonas, Jaider Esbell, Koki Tanaka, León Ferrari, Luísa Cunha, Melvin Moti, Musa Michelle Mattiuzzi, Neo Muyanga, Paulo Nazareth, Regina Silveira, Ximena Garrido-Lecca e Yuko Mohri.
E o frescor da exibição é percebido pela presença de obras desmaterializadas, em áudios e vídeos, além do vazio e da distância existente entre uma e outra porque o local não está delimitado e separado por divisórias como no passado e é possível perceber a intenção dos curadores de reforçar a mensagem da importância do distanciamento social, especialmente agora em que os casos de Covid voltaram a crescer.
Logo de cara, o visitante fica frente a frente com o filme “Wind”, de Joan Jonas, gravado em Long Island, em 1968, onde um grupo de dançarinos luta contra o vento na tentativa de fazer uma coreografia.
Ou ele pode ficar boquiaberto diante dos oito painéis suspensos com oito metros de largura da artista Regina Silveira. Ela trabalha com sombras, com projeções distorcidas e com imagens em preto e branco. Destaque para “Abraço”, uma de suas obras exposta no local e que ganhou relevância neste momento em que as demonstrações de carinho estão proibidas pelas autoridades sanitárias.
Outro ponto relevante abordado por vários artistas é a força da natureza e como ela está respondendo as várias rajadas fortes de vento ocorridas na atualidade. Um bom exemplo é a instalação “Insurgências botânicas: Phaseolus Lunatus”, de Ximena Garrido Lecca, usando grãos de feijões. Eles foram plantados em janeiro deste ano, estão crescidos no momento e compondo uma arena verde.
Já a artista portuguesa Luísa Cunha fotografou uma pessoa sentada em um banco de concreto admirando um jardim que mais parece um tapete verde ou a artista Alice Shintani que desenvolveu uma série de telas feitas com guaches coloridos inspirados na fauna e flora brasileiras.
Em contrapartida, a artista Eleonore Koch fez questão de jogar luz em objetos cotidianos descartáveis, criando obras onde eles estão dispostos em paisagens grandiosas, muitas vezes desérticas e sujeitos às intempéries destes cenários áridos.
Paralelamente, a artista Clara Ianni foca em objetos pertencentes ao universo educacional, criando projeções a partir de blocos de madeira como na obra “Educação pela noite”.
Agora, o mais interessante de tudo é que outros artistas como bailarinos estão preenchendo o espaço vazio, criando performances e improvisando coreografias e movimentos diante das obras presentes por lá em tentativas de interação, expansão e reverberação da mostra.
Esta semana é a última chance para você pegar carona neste pé de vento e sentir internamente este afagar cultural!
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde: Pavilhão da Bienal, no parque do Ibirapuera.
Quando: até 13 de dezembro de 2020.
Preço: grátis.
Foto: reprodução