Nas duas últimas semanas, o Estado de São Paulo recuou no plano de reabertura e voltou a ter restrições de funcionamento e circulação em vários setores e ambientes distintos. Com isso, exposições que estavam programadas para acontecer presencialmente foram transformadas em virtuais como a “Histórias da Dança”, no Museu de arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp).
Grandiosa, ela está dividida em sete núcleos distintos, tais como: improvisação, duetos, gravidade, tensão e resistência, treino e composição, ritmos e sincronicidade e contra a parede e tem a intenção de narrar e fazer reflexões através de pinturas, esculturas e vídeos protestos sobre as políticas em movimento, a respeito dos pilares em que a dança está aterrada ou é desenvolvida.
É claro que o caráter transgressor da atividade não ficou de fora e é possível observar que coreografias podem ser construídas através de gestuais e atitudes rebeldes, com a presença de um corpo de baile formado não por bailarinas clássicas e sim, por marginalizados ou pessoas com deficiências.
A proposta da curadoria da exposição é travar diálogos com o visitante, fazendo-o compreender que a modalidade pode ser uma maneira de autoexpressão e liberdade corporal, mas dependendo da maneira como é apresentada também pode ser restritiva e um lugar de disputa como visto nos diferentes tipos de dança de salão ou em batalhas dançantes.
O fato é que a atividade pode ser uma força vital capaz de catalisar transformações, mas se observada bem de perto ela pode ser uma ferramenta difícil de ser manuseada porque permite que os corpos ginguem para fora das fronteiras e limites impostos e essas extrapolações são geradoras de conflitos, tensões entre bailarinos e coreógrafos que de alguma forma terão que conter seus corpos dentro de um espaço e tempo através de uma postura disciplinada e de treinos rigorosos e frequentes.
Entretanto, mover-se conjuntamente e como em um enxame de abelhas faz com que as narrativas tenham caráter comunitário, comunicacional e harmônico, visando a descoberta de abrigos para o bem-estar e tranquilidade mental.
Por fim, o que fica evidente é que a dança tem a magia de criar pontos de encaixe com museus e galerias de arte através de mesclas feitas com objetos existentes e os espaços desses lugares numa dilatação perceptível além de seus propósitos culturais de origem.
Agora, o mais bacana da aventura é poder ficar diante de obras de Wassily kandinsky, Yoko Ono, Victor Brecheret, Emiliano Di Cavalcanti, Leonardo da Vinci, Edgar Degas, Ismael Ivo, Josephine Baker, Henri de Toulouse, Carybé, Pedro Marighella, Tonita Vigil Peña, além de outras realizadas pelo Studio 3 Cia de Dança, Grupo Mexa, Companhia Kawin, Academia do Funk, entre tantos outros artistas o tempo que você quiser e sem a necessidade de manter o fluxo circulatório e contínuo das visitas presenciais.
lanar virtualmente pela exposição “Histórias da Dança” é um programaço para ser feito neste final de ano e ele pode ser complementado com a visita à mostra “Degas”, inaugurada na última sexta-feira e que reúne 76 obras de Edgar Degas, sendo bronzes, desenhos e pinturas utilizando-se da mesma temática, ou seja, do universo da dança.
Eu amei e indico.
Maria Oxigenada

Serviço: Como visitar: através da página oficial do museu (www.masp.org.br)
Preço: grátis.
Foto: reprodução