Nadar contra a correnteza é besteira! O fluxo atual aponta para as tradições natalinas, para tudo o que a data festiva representa e para a urgência em resgatarmos o real sentido da ocasião para não deixarmos que o amargor sentido em 2020 alcance as festas de final de ano.
E uma das maneiras de adoçar os dias que antecedem o Natal é assistindo ao documentário “Sonhar e Dançar – O Quebra Nozes de Chocolate”. Nele, o espectador acompanha a seleção e os ensaios do corpo de baile da Companhia Debbie Allen.
A diferença entre o espetáculo convencional e sua versão achocolatada é que o segundo é um show narrado e com diálogos para facilitar sua digestão e ainda conta com músicas e passos de street dance, hip hop, jazz, flamenco, sapateado e não somente de balé.
Outra diferença é que os dançarinos da companhia são crianças e adolescentes humildes e pertencentes a classe baixa, por isso 75% deles gozam de bolsas integrais de estudo para ter condições de acompanhar as aulas de dança e participar da adaptação de um dos espetáculos mais famosos e queridos do mundo.
Para vocês terem ideia do que eu estou falando, 700 companhias de dança apresentam anualmente “O Quebra Nozes”, sendo que 600 delas são americanas. Por aqui, ele costuma ser montado pela Cisne Negro Companhia de Dança e encenado no teatro Alfa.
Confesso que eu bato ponto no local todos os anos porque simplesmente adoro a magia e a vibração positiva emanada pelo show construído em cima das sapatilhas. O legal deste ano é que vocês poderão conferi-lo de duas maneiras distintas, ou seja, através da telinha ou presencialmente porque o teatro está oferecendo os dois tipos de ingresso.
Quanto ao documentário visto, o mais interessante é observar o rigor dos ensaios, dos professores, especialmente da coreógrafa e diretora Debbie Allen, bem como tomar ciência sobre os sonhos de alguns alunos que fazem parte do grupo, acompanhando os desfechos de suas narrativas particulares.
Para quem não está ligado no mundinho da dança ou está descobrindo-o agora, saiba que a coreógrafa Debbie Allen é uma das estrelas que brilhou em Hollywood por anos, pois além de ter sido uma dançarina bem sucedida que coreografou dez cerimônias distintas do Oscar, ela também abriu portas para outras bailarinas negras porque foi a primeira a ocupar posição de destaque em espetáculos tradicionais, sentindo na pele o preconceito e a segregação racial da sociedade americana da época porque quando criança foi impedida de frequentar escolas de balé e teatros para assistir espetáculos de dança. Tá bom para vocês?
Entretanto, Debbie Allen não transparece em nenhum momento da película amargor ou ser uma pessoa mal resolvida com esta questão. Ao contrário! O que fica evidente na obra é sua paixão pela atividade, sua vontade de expressar seus sentimentos através de movimentos corporais e seu desejo de continuar investindo na formação e educação de crianças e jovens carentes como se fosse a verdadeira Fada Açucarada de “O Quebra Nozes”.
Outro ponto positivo da versão achocolatada do show é a riqueza de seu figurino construído com peças coloridas, além de fantasias divertidas e acessórios pertencentes ao universo lúdico em que o espetáculo está mergulhado.
Anualmente, são cerca de 200 crianças e adolescentes participantes de “Sonhar e Dançar – O Quebra Nozes de Chocolate” e algumas delas trocam três vezes de roupas durante a apresentação, então vocês imaginam a loucura que é o guarda-roupa oficial do espetáculo e quão insanas as estilistas e costureiras responsáveis ficam para confeccionar este volume de trajes, né!?
O diretor Oliver Bokelberg costura o documentário com a presença de depoimentos dos personagens coadjuvantes e algumas cenas da estreia do show realizado no final de 2019, mas ele não disponibiliza toda a apresentação para nós podermos nos lambuzar com mais esta doçura natalina.
Eu amei!
Maria Oxigenada

Foto e vídeo: reproduções