Para tudo, Brasil! “Uma invenção de Natal” é tudo o que nós precisávamos neste início de dezembro, pois é uma obra lúdica, poética, otimista e ainda por cima musicada. O que mais vocês querem? Eu, nada.
Por um instante eu achei que não sentiria a magia da data na minha frente, mas estava enganada porque o filme vibra na frequência da tradição, não faz feio perante a concorrência e é uma alternativa ao balé “O Quebra Nozes”, pois há números de dança nele.
A película é ambientada em Cobbleton, pequeno vilarejo onde todos se conhecem e que também tem um cientista maluco, ou melhor, um professor Pardal para chamar de seu. Trata-se de Jeronicius Jangle (Forest Whitaker).
Sua invenção mais recente é Don Juan Diego (Ricky Martin), boneco falante e ambicioso que lhe dá um olé e foge às vésperas do Natal na companhia de Gustafson (Keegan Key), seu pupilo e ajudante na loja de brinquedos. E como se não bastasse tudo isso, a dupla de gatunos leva consigo o caderno de anotações de Jeronicius contendo o passo-a-passo de cada uma de suas novas invencionices.
O personagem principal sucumbe à depressão e apatia depois de perder sua esposa e perceber que não tem condições financeiras, nem psíquicas para criar e servir de exemplo para a sua própria filha Jessica (Anika Noni Rose), por isso a envia para bem longe dali e para um local onde pudesse ter uma educação adequada.
A magia e o brilho da loja de Jeronicius que tanto encantou as crianças do lugarejo transformou-se em uma camada de poeira da casa de penhores e de consertos do cientista. No entanto, ela é varrida do local com a chegada de Journey (Madelen Mills), sua neta.
O interessante é que a aproximação dos dois personagens acontece mentalmente e através de trocas de conhecimentos feitas entre eles porque Journey é uma cientista mirim amante dos números e fórmulas matemáticas, assim como seu progenitor.
O problema é que Gustafson reaparece para melar o encontro e descobrir o que a dupla de gênios está armando para este Natal. O lançamento de um brinquedo novo? Talvez. Ou a ressuscitação de um antigo projeto? Na mosca.
rata-se de um robô “zoiudo” que voa, fala, interage com as pessoas e que pode tirar os negócios da família das ruínas, evitando que Jeronicius perca seu estabelecimento comercial e sua casa para o banqueiro Sr. Delacroix (Hugh Bonneville).
Gustafson cresce os olhos para cima do robô, mas Journey não permite que seu avô seja passado para trás mais uma vez e ela conta com a ajuda de Edison (Kieron L. Dyer), assistente atual e fã do professor maluquete.
O melhor da aventura são seus números musicais, especialmente porque a trilha sonora foi composta por John Legend e Philip Lawrence e elas são animadas por coreografias realizadas por um corpo de baile que catapulta a película para um patamar alto astral que só os musicais têm.
Segundo porque o figurino da obra é de cair o queixo com peças feitas em veludo, lã, com diferentes tipos de xadrezes e listras, além da presença de sobretudos e casacos de alfaiataria, mas são os acessórios quem atraem nosso olhar para as produções feitas e fechando os looks com elegância como as gravatas borboletas, os chapéus e casquetes, além das botas de salto de cano médio.
Terceiro porque o elenco do filme é formado quase que exclusivamente por atores negros e afrodescentes. As exceções são poucas e restringem-se a presença do ator Hugh Boneville e um ou outro figurante. A quarta razão é porque há referências estéticas e narrativas de outras obras voltadas para o público infanto-juvenil, tais como: “A invenção de Hugo Cabret”, “Peter Pan” e até o filme “O Rei do Show”.
Quinto porque as atuações dos atores são convincentes, especialmente da atriz mirim Madelen Mills que segura a peteca no ar e não deixa o ritmo da obra cair, mas são os atores coadjuvantes quem roubam as cenas, especialmente Ricky Martin e a atriz Lisa Davina Phillip que interpreta Ms. Johnston, carteira apaixonada por Jeronicius. Aliás, é de sua responsabilidade os melhores momentos de escapismo e comédia do filme.
Sexto porque a abertura de “Uma invenção do Natal” é feita com bonecos e objetos de madeira animados e a obra ainda conta com a utilização de outros recursos tecnológicos como o uso de stop-motion e efeitos especiais que possibilitam os personagens até voarem.
Então, por ser uma película que possui uma mensagem esperançosa e que tem tudo a ver com o Natal, eu a indico!
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada

Foto e vídeo: reproduções