Uma coisa é fato: essa quarentena está servindo para nós nos conhecermos melhor, redescobrirmos paixões, visitarmos cantos escondidos de nossas memórias e reconectarmos com nossas histórias pessoais.
Algumas vezes fazer tudo isso dói porque não é fácil trafegar pelo passado ou ficar diante de traumas e episódios mal digeridos, mas o silencio, a maturidade e o dançar dos anos favorecem o acesso às recordações, às essências, às histórias pessoais e o acalentar de nossas almas.
E o espetáculo de dança “Paz e Amor”, da companhia de dança Marcia Milhazes, trata disso através da presença e desenvolvimento de dois solos distintos realizados pela bailarina Ana Amélia Viana e pelo dançarino Domenico Salvatore.
A busca pela paz interna começa silenciosa e, aos poucos, vai ganhando a companhia de um piano, depois a voz da cantora Soraya Ravenle declamando um poema de Dora Vasconcelos e, por fim, a chegada de um violoncelo. E os instrumentos musicais travam uma conversa ao pé do ouvido com a obra de Heitor Villa Lobos.
Já a prosa desenvolvida pelos dançarinos em cena conta com movimentos de abertura peitoral, com outros imitando o ninar de bebês, a movimentação e postura de alguns animais, assim como o alçar de voos das aves e o cirandar dos humanos dentro da caixa cênica para a arquitetura dessa narrativa tocante que utiliza-se muito de gestuais e de expressões corporais para bater aquele bolão sobre o amor.
E que bolão, hein!? Ou seria melhor dizer: que altinhas eles bateram, né? Porque a criatividade, a suavidade, a delicadeza e a cooperação entre a dupla esteve presente durante todo o tempo de duração da apresentação e enquanto a coreografia estava sendo executada.
Quanto ao figurino usado pelos protagonistas, este foi criado com peças confortáveis e que não limitaram a movimentação de Ana Amélia, nem de Domenico. Ela deslizou pelo palco a bordo de um vestido verde e uma calça preta. Já ele segurou o carão dentro de uma camisa branca e uma calça social.
“Paz e Amor” é indicado para aquelxs que curtem ficar diante de belezas afáveis que têm o poder de nos confortar em momentos de incertezas e de pavor como o de agora.
Eu amei!
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde ver: através da página do Sesc no Youtube.
Foto e video: reproduções