As nossas trocas culturais sempre foram feitas com o que de mais interessante está rolando na capital paulista porque a Oxigenada é “on”! Entretanto, desta vez a mainha viajou para longe para conversar com vocês sobre um espetáculo de dança construído a quatro, ou melhor, a 12 pés.
Esta é a primeira vez que abordo dança de salão neste espaço e o show dançado juntinho é resultado do trabalho do Coletivo Casa 4, de Salvador. Para quem não o conhece, trata-se de uma companhia de dança formada por um grupo de dançarinos da modalidade que se propõe a ir além do dois para lá e dois para cá e discutir quem conduz o baile na atualidade?
Outra conversa travada pelo grupo durante o show visto diz respeito a qualidade dos encontros realizados durante a pandemia e quais são os mecanismos e armas de sedução utilizados neste momento em que não podemos manter nossos rostinhos colados enquanto arrastamos nossos pés pelos bailes da vida.
“Casa 4 em Casa” conta com fragmentos de espetáculos anteriores desenvolvidos pelo grupo, tais como: “Salão”(2017) e “Me Brega, Baile” (2019), por isso sua condução é feita através de uma trilha sonora eclética e construída tanto por músicas do repertório brega, como também por canções do rei Roberto Carlos e da cantora Marisa Monte (“Bem que se quis”), além da declamação de poemas e de palavras sobre o respeito ao amor diverso e a todas as formas de amar.
“An passant”, eles colocam na roda outras questões além das citadas acima e, por exemplo, a permanência até hoje da binaridade nos estilos dançados em dupla, pois é sabido que na dança de salão a dama é conduzida pelo cavalheiro e que ela deve assumir um papel passivo diante de seu par. Afê!
“Casa 4 em Casa” seduziu o espectador porque foi encenada ao ar livre e em um espaço que nada lembrava um palco de teatro. Além disso, o show contou com os dançarinos Alisson George, Leandro Oliveira, Ruan Wills, Jonatas Raine, Marcelo Galvão e Guilherme Fraga em cena e com as trocas de casais formados sob os holofotes.
Agora, o destaque da apresentação aconteceu já nos seus minutos finais e com a presença de um solo dançado a meia luz e com um dos dançarinos da companhia utilizando um paletó como seu partner. Poético, criativo e um encerramento que deu margem para a reflexão da plateia virtual sobre várias temáticas, desde os preconceitos enfrentados pela comunidade LGBT+ no dia a dia, como também a existência dos encontros efêmeros ocorridos durante a pandemia.
“Casa 4 em Casa” é um espetáculo rápido e de apenas 30 minutos de duração, mas que emociona pela sua sensibilidade e pela leveza com que assuntos tão relevantes são tratados através da dança e de corpos misturados.
Eu amei! Show repleto de axé!
Maria Oxigenada

Serviço:
Onde ver: através da página do Sesc no Youtube.
Espetáculo escolhido a dedo para vocês
Foto e vídeo: reproduções