Outro remake está no foco da maior emissora do país. Trata-se de “Pantanal”, novela produzida no início dos anos 90 pela extinta Rede Manchete, e que eternizou a atriz Cristiana Oliveira na pele pintada de Juma Marruá, além de lançar o ator Ângelo Antônio e as atrizes Giovanna Gold e Lucienne Adami ao mercado.
Na ocasião, a obra contou com um elenco de peso formado por Cláudio Marzo, Marcos Palmeira, Marcos Winter, Jussara Freire, Paulo Gorgulho, Ítala Nandi, José de Abreu, Ângela Leal, Nathalia Timberg, Tarcísio Filho, Flávia Monteiro, Antônio Petrin, Ernesto Piccolo, Rômulo Arantes, Marcos Caruso, Ewerton de Castro, bem como a participação especial da atriz Cássia Kis, dos cantores Sérgio Reis e Almir Sater, entre outros artistas.
E é claro que a motivação principal para refazer este sucesso foi aumento no número de queimadas ocorridas no Pantanal e na Amazônia este ano, além de evidenciar a importância da permanência dos biomas brasileiros, especialmente as diferentes espécies de animais, plantas, insetos, frutas e rios existentes nestes.
No entanto, tudo o que foi dito até aqui foi somente para criar gancho para eu contar sobre uma aventura que presenciei nos últimos dias. Eu resolvi visitar a Clarice, minha ex-sogra e mãe do Paulinho, porque estava morrendo de saudades dela!
E depois de colocar o papo em dia acompanhado de uma xícara de seu café fresco e bolachinhas de pinga que ela tinha feito naquela manhã e que são as melhores que já comi em toda a minha vida, eu me juntei ao Paulinho e a sua priminha que estavam se divertindo na calçada.
Ele estava ensinando a menina a andar com o seu walk machine, irmão mais velho dos patinetes motorizados existentes hoje em dia. A principal diferença entre eles é que no primeiro você dirige frontalmente com os pés depositados um de cada lado do veículo. Já nos patinetes, você precisa equilibrar-se em cima de uma única plataforma, posicionando um pé atrás do outro e com o corpo inclinado lateralmente.
Eu não sei o que aconteceu, mas quando ela assumiu sozinha a direção do veículo, ele virou marruá, ou seja, bicho selvagem, que queria porque queria se desvencilhar do peso extra e fugir para bem
longe dali. Eu acho que o acelerador da máquina travou na potência máxima e para ela conseguir domar a fera, começou a brecá-lo com força.
O resultado foi que houve uma sequência de empinamentos do veículo até que a menina não conseguiu mais segurá-lo e ele saiu desgovernado pela rua, espatifando-se no chão na sequência.
Nesse momento, eu olhei para o Paulinho e seus olhos estavam inundados de lágrimas. A pintura intacta do walk machine ficou toda arranhado e seu guidão saiu do prumo e precisará ser desentortado antes de ser usado novamente.
A intenção de entreter do Paulinho foi boa, mas ele precisará fazer uma consulta com o Velho do Rio, personagem de “Pantanal”, guardião local, responsável por curar ataques de espécies peçonhentas e perigosas e que durante todo o transcorrer da trama serviu de farol para as pessoas desorientadas como ele está no momento.
Não custa nada o Paulinho levar o veículo para ser benzido por um padre ou curandeiro, né!? Vai que ele é a reencarnação do diabo ou do peão Trindade. Eu, hein! Tô fora de levar coices de máquina antiga ou de quem quer que seja!
Só espero que a próxima cria de “Pantanal” seja tão divertida, com personagens autênticos como foi a versão original e que mais uma vez toque em assuntos importantes como a preservação do meio ambiente, a preocupação com o aumento de grilagem local, assim como com os focos de desmatamento, a permanência do oronelismo na região e de muitos outros lobos que se apresentam em pele de cordeiros por aí, inclusive na esfera governamental.
Que a obra sirva de alerta para o que tem ocorrido no Brasil na atualidade e que ela reforce a mensagem de que nós, brasileiros, não queremos que a boiada passe desgovernada pela porteira, nem que não nos importamos com nossas riquezas naturais, culturais ou com os índios e protetores das matas. Nada disso!
E se isso por um acaso acontecer, não será difícil a proliferação e ataques de outros Marruás pelo território nacional…

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções