Ontem o dia pegou fogo e não foi porque o período ostentou altas temperaturas, mas devido a movimentação nas ruas e nos colégios eleitorais na capital paulista. Mesmo em plena pandemia, as eleições municipais aconteceram e a população compareceu às urnas.
Eu cumpri minha obrigação logo pela manhã porque queria cruzar com o mínimo de pessoas possíveis, especialmente conhecidos no trajeto entre minha casa e o colégio em que voto. Além disso, quando soube que as urnas não poderiam ser esterilizadas após o seu uso e nem receber uma película protetora de álcool gel achei por bem me adiantar e ser uma das primeiras a dedilhar suas teclas.
Eu segui à risca as recomendações das autoridades e cheguei ao local mascarada e portando meus documentos de identificação pessoal e uma caneta esferográfica própria, além de um vidrinho de álcool gel no bolso de minha calça.
A minha sessão estava vazia, então eu entrei e não precisei amargar minutos em nenhuma fila de espera. Confesso que sempre me emociono ao votar e dessa vez não foi diferente porque junto com o envio das minhas escolhas, eu depositei também esperanças em um futuro melhor.
Desde o início da campanha eleitoral, eu já tinha meu candidato preferido para ocupar o cargo de prefeito da cidade, mas até a noite de sexta-feira eu estava pesquisando os candidatos que poderiam ocupar o cargo de vereador. Uma coisa era fato: não iria reeleger nenhuma raposa velha que não quer largar o osso do serviço público e, muito menos, anularia ou jogaria meu voto na lata de lixo. Isso nunca!
Outra decisão que tomei antes mesmo de começar minhas buscas foi que meu voto seria feminista porque a representatividade feminina caiu drasticamente nos últimos anos não só na Câmara Municipal, como também no Congresso, no Senado e no Supremo Tribunal Federal.
Cogitei repetir a atitude adotada na última eleição e votar em um coletivo formado por cinco mulheres diferentes e cinco histórias de vida distintas que, juntas, poderiam ser ouvidas com maior clareza, especialmente quando propuserem projetos ou elaborarem propostas em defesa da mulher e de causas sociais.
Para quem desconhece o assunto, os mandatos coletivos funcionam da seguinte forma: cada grupo precisa escolher uma única pessoa para ser a candidata oficial e para assumir o mandato em caso de vitória. Agora, cabe a cada coletivo decidir a maneira como irá trabalhar e se haverá, por exemplo, a divisão igualitária do salário pago a todos os integrantes do grupo ou se todos irão comparecer as reuniões semanais, ou ainda, se alguns deles irão desempenhar atividades destinadas aos assessores.
A primeira vez que se ouviu falar sobre candidatura compartilhada foi em 2002, na Suécia, onde um grupo de alunos e professores de uma escola secundária resolveu fundar um partido, conquistar uma cadeira no parlamento e ter representatividade oficial.
A iniciativa deu tão certo que eles se reelegeram outras duas vezes, sinalizando para o restante do mundo essa nova maneira de administrar. Por fim, eu votei em uma professora que apresentou um plano de governo voltado para a área educacional e para a melhora de uma alimentação digna e feita com alimentos de verdade para as crianças e jovens do ensino público.
E se por algum motivo vocês não votaram ontem, então a dica é fazer isso através do aplicativo e-Título, disponível para ser baixado na plataforma Google Play e App Store ou procurar um cartório eleitoral mais próximo. Lembrem-se de que vocês têm 60 dias para justificar seus votos.
Quanto a mim, daqui 15 dias precisarei repetir a operação feita, pois o jogo ainda não está ganho e haverá segundo turno das eleições municipais. A chatice será ter que aguentar as propagandas eleitorais e a lavagem de roupa suja que sempre acontece e se intensifica nessa fase, né!?
Haja paciência! Mas sigamos em frente com os nossos corações repletos de esperanças!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução