A São Paulo Fashion Week completou 25 anos e a diferença entre as edições anteriores é que a realizada na última semana foi a primeira totalmente virtual. Além disso, o evento ocupou a capital paulista de forma digital com projeções móveis de luzes e performances de bailarinas, além da exibição de desfiles antigos e os atuais através de triciclos que circularam pelas ciclovias da cidade.
Outra característica sentida já no primeiro dia de desfiles foi que os estilistas criaram em cima de temáticas da atualidade, tais como: pandemia, isolamento social, as adaptações feitas no cotidiano em decorrência disso, bem como o sentimento de solidão e a vontade de interação com outros seres humanos ou a força curativo da natureza sobre nós.
Isso sem dizer que os fashion filmes ou os desfiles on-line tiveram a participação de 50% de modelos negros, afrodescendentes ou indígenas, pois a obrigatoriedade de cotas raciais nesta edição foi levada ao pé da letra por cada marca participante.
Agora, o melhor desta edição foi que ela foi mais que democrática e todo mundo foi convidado para a festa e pôde acompanhar aos desfiles de perto e através de seu computador, tablet ou celular. Para a surpresa de muitos, os desfiles aconteceram pontualmente e no horário marcado.
E como o Brasil é um país conhecido internacionalmente pela sua musicalidade, isso não poderia deixar de transparecer nos shows vistos e muitos estilistas fizeram cirandas fashion ou utilizaram a dança como ferramenta de apresentação de suas novas coleções, tais como a grife Isabela Capeto, a marca Irrita (Rita Comparato), a beach wear Lenny Niemeyer e Fernanda Yamamoto que, literalmente, coreografou performances com palavras.
Quanto as tendências reforçadas durante os cinco dias de evento está a do grafismo, de peças estampadas com figuras geométricas, além de trabalhos manuais como visto na apresentação da marca Victor Hugo Mattos. Aliás, o trabalho do estilista contou com várias camadas de esforços manuais como o feitio de bordados em pedrarias e contas em cima de peças de crochês ou a confecção de maxi acessórios, especialmente para as cabeças construídos com búzios e conchas do mar.
Já a delicadeza do momento atual foi traduzida pelo uso de tecidos transparentes e leves, estampas de pequenas flores, franzidos, babados ou pelo uso de sandálias baixas, feitas em couro como visto no curta de Isabela Capeto e da marca Irrita.
A label Lenny Niemeyer mostrou uma coleção com bodies com maxi golas, mangas presunto, golas nas alturas, além de peças tie-dye, túnicas e vestidos com amarrações e quimonos dignos das vestes usadas pelas deusas e guardiãs das florestas tropicais.
E as máscaras? Ah! Elas não poderiam ficar de fora na ocasião, mas os acessórios protetivos que abriram nosso olhar dessa vez foram os de queixo, presentes no desfile da marca ÁLG, de Alexandre Herchcovitch, e que tem aquela pegada esportiva, democrática e de street wear com o vai e vem de moletons, bermudas ciclistas, blazers retos, jaquetas impermeáveis e cores vibrantes. Destaque para a bolsa saco grandiosa usada nas costas e para a releitura de chapéus protetivos de pescoços.
O pontapé do segundo dia de desfiles foi dado pela marca Korshi 01, do designer Pedro Korshi, que mostrou apenas 10 peças multifuncionais que se desdobravam em várias produções distintas, reforçando a vibe de praticidade do momento atual. Destaque para os acessórios vistos na ocasião, como óculos quadrados, brincos ear cuff, chapéus bucket e piercing labial no formato de cruz.
Enquanto isso, a marca Ponto Firme veio com um documentário mostrando o processo criativo do cabeça da label Gustavo Silvestre, as colaborações feitas durante a execução da sua nova coleção com peças de crochê ou customizadas. Destaque para a união de transparências e crochês, para as saias de cinturas baixas ou assimétricas e, principalmente, para as botas de plástico.
Na sequência do dia, a marca A. Niemeyer reforçou a tendência de saias longas com cinturas baixas e peças feitas manualmente com a presença de tops e corseletes também feitos em lã, looks monocromáticos, confortáveis e cortes atemporais. Destaque para a calça Aladim inspirada na animação.
O designer Amir Slama encerrou o dia de desfiles com uma apresentação solar acompanhada da voz de Elza Soares cantando aquele sambinha que a gente tanto curte e construindo uma atmosfera positiva, caliente e latin lover formada com peças super cavadas, maiôs engana mamãe, sungas listradas, saídas de banho com o astro rei estampado, além de outras em tie-dye ou que privilegiavam as tonalidades: amarelo, laranja, vermelho e marrom.
Sem dúvida alguma, o mais bacana da apresentação de Amir Slama foi a participação de três atletas do nado sincronizado do Clube Paineiras, assim como o balé feito por eles nas águas cloradas da locação escolhida e as imagens aéreas da abertura do fashion filme.
E o baile continuou por mais três dias…

Maria Oxigenada
Foto e vídeos: reproduções