Uma das trocas mais visíveis durante a pandemia foi a substituição do escritório ou da escola pelos cômodos de casa. Em um primeiro momento isso foi ok porque todo mundo queria permanecer ativo e protegido do ataque invisível do Corona, mas passado meses da instalação dessa nova dinâmica começou a pipocar outros problemas aos adeptos do home-office e homeschooling.
O mais comum foi o surgimento de dores na coluna, especialmente na lombar por trabalhar ou estudar várias horas em mesas e cadeiras inapropriadas, além do aparecimento do cansaço visual e de episódios de enxaqueca por ficar horas diante de telas azuis brilhantes.
Isso sem mencionar outros problemas físicos provocados pelo sedentarismo e pela falta de movimentação que o confinamento estimulou, bem como os problemas mentais e psíquicos agravados no período, ou pior, o aumento no número de vitimas de feminicídio.
No entanto, meu intuito com este texto é conversar com vocês a respeito do conteúdo do documentário “O dilema das redes”, lançado recentemente pela Netflix. Construído com depoimentos de CEOs, líderes e ex-funcionários do Google, Twitter, Facebook, Instagram e outras redes sociais, além de cenas fictícias envolvendo uma família padrão americana, a obra aciona a luz vermelha para o uso indiscriminado das redes sociais e gadgets.
O alerta maior recai sobre o número de horas gastas diante das telas interagindo somente no universo virtual, além das consequências dessa falta de limites, como a dependência física e psiquica, o aparecimento de transtornos mentais como ansiedade ou doenças como a depressão e até o aumento de suicídios, especialmente entre adolescentes e jovens que tiveram suas autoestimas afetadas por comentários lidos ou pelo baixo número de curtidas obtidas ou por se tornarem vitimas de cyberbullying.
Durante a película também é possível ter a ciência de como as empresas de tecnologia trabalham para deixar seus usuários cada vez mais conectados e longe de atividades saudáveis, reais, criativas e realizadas ao ar livre e em conjunto com amigos, colegas e familiares.
Outra sirene disparada diz respeito a manipulação dessas empresas em relação aos hábitos de consumo de seus usuários, bem como no resultado de eleições nacionais, além do perigo existente na divulgação de notícias falsas que podem impactar a democracia de países ou os direitos humanos dos cidadãos.
E apesar de alguns espectadores acharem que o filme é contra o uso de tecnologia, na verdade é um alerta. Nele também é dito que não podemos demonizar toda e qualquer tecnologia e que algumas criações vieram para ajudar no nosso dia-a-dia, além de propor a adoção de novas atitudes, como o compartilhamento de viagens ou a realização de compras on-line ou a locação de imóveis por tempo inferior a uma locação convencional, entre outros.
“O dilema das redes” peca ao misturar ficção e realidade através da inserção de dramas familiares fantasiados por seus autores e que tem como protagonista o jovem Ben (Skyler Gisondo). Apesar disso, é incrível acompanhar o raciocínio dos roteiristas através da personificação da inteligência artificial (Vicent Kartheiser) presente na obra e sua interação com o personagem citado acima.
Por fim, concluí que a película é um belo tapa na cara, ou melhor, um “pedala” em nossas cabeças para que acordemos para o fato da qualidade de nossas relações ou de como estamos gastando nosso tempo livre atualmente ou da saúde de nossas trocas hoje em dia.
Para refletir…
Maria Oxigenada

Foto e video: reproduções