Mais uma barreira foi superada! Eu voltei a frequentar a academia depois de sete meses longe do templo de malhação e o que eu posso dizer para vocês é que a sensação foi das melhores! A verdade é que parece que tirei um peso que estava estacionado em cima dos meus ombros e ancorando o meu bem-estar.
Durante toda a pandemia, eu me virei nos 30 para não ficar paradona, saí correndo pelas ruas da cidade e fiz diferentes tipos de aulas virtuais gratuitas, tais como: pilates, ioga, circuito, alongamento e até ballet fit, pois eu descobri uma professora espanhola chamada Gloria que me ajudou a vestir novamente as sapatilhas e voltar a rodopiar pelos cômodos de casa.
Agora, o engraçado é que nadei contra a corrente porque enquanto a maioria das pessoas ganhou peso durante a pandemia, eu afinei a silhueta e perdi cerca de 3,5 kg, resultado da perda muscular e melhora na minha alimentação feita com alimentos orgânicos.
Apesar disso, eu percebi o acréscimo de gordurinhas localizadas como o surgimento de uma pequena pochete que antes não existia e o aparecimento de dois filezinhos de sassami embaixo das asas, ou melhor, próximos as minhas axilas. Ninguém merece!
Quanto a academia, ela continua pouco frequentada, pois os idosos e pessoas pertencentes aos grupos de risco ainda não voltaram ao local e as aulas coletivas estão suspensas e com previsão de retornarem somente no próximo ano, mas o que interessa é que a piscina está liberada para nadar e hipnotizando quem ali está de passagem.
Esta semana, as aulas de hidroginástica também voltaram a acontecer em apenas um único horário diário, mas sem o uso de materiais como alteres, espaguetes, pranchas, caneleiras e elásticos, por isso os exercícios feitos são aqueles que utilizam somente o peso do corpo e a movimentação conjunta e coordenada de seus membros.
Confesso que quando dei o primeiro mergulho, senti meu corpo cortando as águas cloradas como se fosse fissuras feitas com papeis, tamanha a ardência. No entanto, ele foi se acostumando com as braçadas alongadas, com a bateção de pernas e com a soltura da musculatura atrofiada.
Ao sair da piscina, eu já estava mais ereta, com a sensação de que tinha crescido uns centímetros extras e lavado minha alma. Apesar disso, eu tive uma noite de sono agitada, reflexo do acúmulo de expectativas e ansiedade pelo retorno ao local, e a água doce não teve o efeito calmante costumeiro, mas fez uma sessão de drenagem linfática por todo o corpo, eliminando por completo as toxinas acumuladas durante o período de isolamento social.
O obstáculo que eu ainda não consegui superar foi o de tomar banho após sair da piscina ou fazer xixi no vestiário local. Tem dias que saio explodindo de vontade, mas disparo para casa como se fosse um foguete para suprir minhas
necessidades fisiológicas em ambiente conhecido e bem higienizado. Olha o tamanho da nóia, há, há, há…
Aos poucos e com todos os cuidados possíveis, eu estou voltando a oxigenar meu cotidiano e a minha rotina diária. Ter esse privilégio de me exercitar, mesmo que isolada em uma das raias da piscina de 25 m, é algo que não tem preço!
O canto da sereia está sendo ouvido em alto bom tom e é para nos convocar a normalidade, mas a verdade é que o encanto e a hipnose de suas melodias continuam esbarrando no número de mortes ocorridas diariamente no Brasil e a presença de uma segunda onda de infectados do Coronavírus em todo o mundo.
Inspirem e expirem com cuidado, Oxigenadas! Mas abram frestas para novos mergulhos de bem-estar em suas agendas de agora.
Beijos,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução