Adaptação dos quadrinhos criados pelx cartunista e chargista Laerte Coutinho, a peça “A noite dos palhaços mudos” não é novidade para quem circula pelos teatros da capital paulista porque ela tem mais de 10 anos de existência e já abocanhou vários prêmios, inclusive o Shell de melhor ator que foi dividido entre Fernando Sampaio e Domingos Montagner, fundadores da Companhia La Mínima Circo e Teatro.
O humor sem palavras, feito através de mímicas, truques de mágica, números musicais e comicidade física é o que a diferencia de outras vistas virtualmente na atualidade. Outro ponto é que a obra conta com a reunião de três atores em cena, dividindo o palco em uma das unidades do Sesc São Paulo e apresentando-se diante de cadeiras vazias. São eles: Fernando Sampaio, Fernando Paz e Filipe Bregantim.
O enredo da obra é construído com a perseguição dos palhaços por uma seita que os considera como sendo uma ameaça a sociedade. E logo nos primeiros minutos um deles é capturado pelo grupo e tem seu nariz de rena arrancado abruptamente do rosto, por isso desfila pela caixa cênica portando um curativo feito com esparadrapo.
O seu parceiro de palhaçada resolve libertá-lo e, juntos, partem atrás do nariz vermelho de borracha. Durante o resgate do acessório, a dupla pula portões abertos, usam guarda-chuvas como paraquedas, correm de cachorros, além de rastejarem pelo chão no intuito de escaparem dos ataques de gaviões ou aves noturnas.
O clima nonsense da peça é criado a partir da presença de cenas absurdas, outras cômicas ou típicas circenses e que são iniciadas a partir do acionamento de um despertador localizado dentro do bolso da calça de um dos palhaços.
O melhor do espetáculo é acompanhar a performance ingênua dos clowns em frente as câmeras e perceber a figura controversa que é o palhaço porque, apesar de ter a missão de fazer o publico rir, ele costuma ser uma figura melancólica, introspectiva e que possui uma carga emocional diferente da exteriorizada.
Dirigido por Álvaro Assad, a sonoplastia de “A noite dos palhaços mudos” é feita pela presença de músicas, de efeitos sonoros extraídos dos mais diversos objetos, bem como por pausas silenciosas e nos moldes de como eram feitas as novelas de rádio do início do século XX e que tinham como objetivo estimular a imaginação de seus ouvintes.
Já a cenografia e iluminação da obra colaboram para criar ora uma atmosfera misteriosa da narrativa, ora um clima alegre e irreverente que recheia qualquer espetáculo circense ou cômico. Destaque para as caras e bocas feitas pela dupla de Fernandos e para o número de sapateado que eles encenam.
Para quem deseja variar o cardápio atual repleto de monólogos ou espetáculos de stand-up comedy, então “A noite dos palhaços mudos” é a minha sugestão de entretenimento e diversão para toda a família.
Confesso que rolei de rir com algumas cenas e com a atuação nada minimalista do trio que estava em cima do palco.
Eu indico.
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde ver: na página do Sesc no Youtube.
Foto e video: reproduções