O bordão popular que diz: “Cada mergulho é um flash!” foi transformado em “A cada sentada, uma série”, pois não consegui levantar a buzanfa do sofá enquanto não vi o fim da primeira temporada de “Emily em Paris”.
Os seus atrativos são muitos e variados. Se você é daquela que curte uma protagonista fashionista, então a série vai lhe agradar em cheio! Já se você é aquele tipo de espectadora que adora viajar através das telas, “Emily em Paris” é a oportunidade para flanar pelas ruas da Cidade Luz de maneira leve e divertida.
Agora, se você é uma observadora atenta, de língua afiada e que gosta de apontar as pisadas de bola da produção, então a série queridinha do momento também será um prato cheio para você porque ela está repleta de clichês, especialmente no que diz respeito ao comportamento dos franceses.
Criada por Darren Star, o mesmo autor da série americana “Sex and The City”, a obra acompanha as aventuras de Emily Cooper (Lilly Collins). A personagem é assistente de marketing de um escritório em Chicago (USA) e logo no primeiro episódio recebe a proposta de passar um ano em Paris (França) com o intuito de ajudar o escritório local no reposicionamento de suas marcas de luxo junto às redes sociais.
A protagonista não pensa duas vezes para aceitar ao convite, empacotar suas coisas e deixar para lá namorado e amigos. No entanto, logo de cara ela percebe que sua estada no local não será tão amigável assim, pois não fala francês e sente na pele a hostilidade de seus colegas de trabalho, especialmente de sua chefe Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu).
Aos poucos, Emily começa a se adaptar ao estilo de vida francês e até a ver graça nas diferenças culturais existentes entre americanos e franceses. Além disso, ela faz amizade com a chinesa Mindy (Ashley Park) e conhece seu primeiro crush e vizinho Gabriel (Lucas Bravo).
E a cada episódio, Emily descobre lugares pitorescos da cidade como o restaurante em que Gabriel trabalha como chef de cozinha. E como trabalha com o mercado de luxo, a personagem também tem contato com pessoas da alta roda parisiense, ou melhor, com estilistas, galeristas, empresários, produtores de vinhos, perfumistas e outros clientes do escritório para qual trabalha.
A seu favor, Emily tem um guarda-roupa de dar inveja a qualquer it-girl e desfila pela série a bordo de muitas peças de alfaiataria, casacos bem cortados, jaquetas bomber, saias godês, vestidos de tules ou com decotes ombro a ombro, bem como produções coloridas, floridas e xadrezadas, inclusive com a estampa pied de poule, mas são os acessórios usados como lenços, meias ¾, boinas, chapéus floppy e bolsas de todos os tipos, bem como ankle boots, sandálias com tiras nos tornozelos, escarpins e galochas que conferem à personagem uma aura de blogueirinha da atualidade.
Aliás, Emily cria uma conta em uma rede social para mostrar suas aventuras por Paris e seus looks construídos com as grifes Dior, Chanel, Givenchy, Vivienne Westwood, Christian Louboutin, Burberry, Christian Siriano, Off-White, Alice+Olivia, Hood by Air, entre outras marcas e em pouco tempo ela acaba ganhando milhares de seguidores e tornando-se uma influenciadora digital.
A temática abordada não é novidade e já foi tratada anteriormente em outros filmes e até pela produção nacional “Amor.com”, mas em “Emily em Paris” é possível observar como os conteúdos publicados são pensados também para engajar os consumidores e, de quebra, vender produtos.
Outro fato interessante de se notar é a quantidade de seguidores que o elenco oficial da série possui na vida real em suas redes sociais e perceber que celebridades, atores e personalidades brasileiros têm um número exorbitante destes, além de concluir que somos demasiadamente ativos nas redes sociais e sabemos persuadir, trabalhar e até veicular notícias falsas com eficácia.
Agora, o melhor é que os episódios da série são curtos e com a fluidez necessária para conquistar novos espectadores e não entediar os que desejam passar poucos minutos diante da história criada.
Acredito que a segunda temporada já esteja no forno, tamanho sucesso da primeira e eu acho que ela será mais interessante e divertida com a protagonista passando por reais perrengues ou envolvida em situações e tramas mais complexas, pois a primeira temporada foi café com leite, né! E a personagem ficou diante de pequenos problemas cotidianos como a queima de seu chuveiro ou a queda de energia elétrica em seu prédio, mas o legal é que a obra terminou criando gancho para a formação de um possível trisal na narrativa, tendo Emily em uma ponta e Gabriel e sua namorada Camille (Camille Razat) nas outras duas extremidades.
Quanto a escolha de Lilly Collins para o papel principal, eu achei acertada porque a atriz construiu uma Emily doce, feminina, mas ao mesmo tempo determinada, profissional, com atitude e potencial para tornar-se uma mulher empoderada da área de marketing, que sabe exatamente o que quer, onde deseja chegar e que pode sim influenciar uma nova geração de telespectadoras.
Beijocas,

Maria Oxigenada
Foto e video: reproduções