A semana de moda francesa aconteceu sem obstáculos, apesar de a gente ver durante o evento uma modelo ou outra virando os pés, com dificuldades de caminhar em cima de saltos altíssimos ou, literalmente, tropicando nas barras das calças como aconteceu no desfile da marca Balmain.
Aliás, modelos experientes e mulheres grisalhas abriram o espetáculo vestindo pantalonas, calças flare, capas e casacos compridos, além de ostentarem cores sóbrias e estampas geométricas, especialmente a de labirinto; tudo sob os olhares atentos do estilista Olivier Rousteing que também estava em cena.
Em seguida, as luzes acenderam-se com a presença de peças em neon, ombros pontudos, peças reluzentes, jeans soft, mas também com produções com uma pegada navy. Destaque para os looks construídos com bermudas e blazers, para as botas meias, para as maxi bolsas e para o macacão prata com vertiginoso decote frontal usado com camisa e blazer.
Contrapondo-se a tudo isso, a grife Dior mostrou aos convidados presentes uma coleção mais erudita, onde se viu listras apagadas, peças com decote em V, quimonos usados em conjunto com calças compridas, ponchos, saias rodadas, jeans molenga, transparências, sedas estampadas e tie-dye. Destaque para o uso de lenços nos cabelos e para os cintos finos de duas voltas.
Já a label Carolina Herrera chegou destacando os bustos femininos com plissados, além de trazer ao público vestidos trapézios, modelos tridimensionais, de ombros marcados em tops cropped e vestidos volumosos. Destaque para a peça com estampa de poá de mesma cor.
A marca Dries Van Noten também não se enroscou durante a sua apresentação, colocando sob os holofotes peças simulando a trama de redes de pesca, babados feitos com tules, formas geométricas, mangas duplas, peças de moda praia listradas e muitas cores. Destaque para o uso de grampos nos cabelos e de acessórios volumosos como colares e brincos.
Entretanto, a grife Chloé quis mostrar a trivialidade do cotidiano com suas modelos circulando pelas margens do rio Sena, realizando atividades corriqueiras como tirar selfies, esperar pelo transporte publico ou por alguém na porta de museus ou conversar com amigas.
E desta vez, ela construiu uma coleção privilegiando a paleta de cores rosada e que inclui o lilás, além do amarelo-manteiga, mas não deixou de lado a cor azul celeste, as estampas floridas delicadas e os vestidos leves. Destaque para os acessórios, particularmente para as sandálias de saltos medianos grossos, para os cintos largos, para os colares com pingentes imitando mosquetões, para as bolsas cilindros e para camisas grafitadas.
A marca Elie Saab resolveu estacionar seus pés um pouco mais na realidade de hoje e, diferente de coleções passadas, partiu para a construção de um conjunto de peças mais casuais formado por vestidos leves, feitos de leses, bem como camisões, saias de tules, rendas plissadas e ternos estampados. Destaque para duas séries distintas: a branca, especialmente o macacão com plumas, e a serie de roupas verde esmeralda com detalhes feitos com correntes douradas.
Outro aspecto relevante foi à sincronia do desaparecimento do sol com o surgimento da lua no local onde o fashion film estava sendo rodado e com o fechamento da obra apresentando looks azulados e prateados num desejo escancarado sobre os ciclos esperançosos e festivos que ainda estão por vir.
Outra marca que também está pensando nas celebrações pós-pandemia é a Isabel Marant que montou no Palais Royal uma verdadeira festa com a performance do coletivo (La) Horde sendo realizada no meio e conjuntamente ao desfile e ao som de “I fell love”.
Na ocasião, ela mostrou peças com mangas presunto, de sino, vestidos assimétricos, minissaias com babados, jeans delavê, blusas e vestidos de ombro único volumoso, roupas bordadas com canutilhos, de lurex, lamê ou paetês, hot pants jeans, calça jogging, além de laços frontais e acessórios como botas cowboy, inclusive as listradas, bolsas no formato de flores, suspensórios e brincos de estrela ou coração para reforçar a vibe só love, só love da label.
Já a marca Ralph e Russo ziguezagueou pela print, assim como trabalhou na construção de looks com lenços, particularmente quando os colocou no lugar de tops ou de cintos e em produções criadas com bermudas e tops de alfaiataria ou mesmo com plumas aplicadas.
Agora, a grife Vivienne Westwood respirou poesia através da apresentação de poucas peças em um fashion film dirigido por Andreas Kronthaler, marido da estilista. Dentre o que foi visto, nós tivemos: a estampa da deusa Vênus, botas com estampa de jacquard, os giga acessórios como brincos, pulseiras, colares e correntes, além da utilização de moletons ovesized como vestidos, de meias de animal print e, é claro, de estampas xadrezadas que são as queridinhas de Vivienne.
A verdade é que todos os estilistas estão aprendendo muito durante essa pandemia, especialmente em como divertir seus clientes, como apresentar seus trabalhos e ideias e em como continuar atuando no mercado de moda sem embaraços ou mancadas fashion.
Beijocas,

Maria Oxigenada