O burburinho foi instalado entre os convidados das semanas internacionais de moda, especialmente entre os presentes da semana italiana. E além de acompanhar aos desfiles, eu também fiquei com o orelhão em pé para pescar um comentário aqui, outro acolá sobre as novidades mostradas em Milão.
Sem duvida alguma a mais surpreendente partiu da mente criativa de Jeremy Scott, estilista da grife Moschino, pois ele montou um circo fashion, ou melhor, fez um desfile virtual usando marionetes de 30 cm de altura e com peças de roupas proporcionais, bem ao enredo visto na novela global “Tititi”.
O mais legal de tudo foi que a primeira fila foi construída com bonecas semelhantes aos profissionais atuantes no meio ou celebridades, tais como a diretora da revista Vogue Anna Wintour, o editor de moda Hamish Bowles, a jornalista e consultora criativa italiana Anna Dello Russo, assim como o próprio Jeremy Scott vestindo uma camiseta com a frase: “eu não falo italiano, mas falo Moschino” no encerramento do show.
Quanto à coleção, muitas saias rodadas, bordados delicados, caudas longas, laços, calças retas de cintura alta, jaquetas, além de vestidos femininos, com cheirinho dos anos 50 e acessórios como bolsas no formato de jaquetas.
Já a marca Versace derrubou preconceitos com um trio de modelos body positive (Jilla Kortlove, Alva Claire e Precious Lee) e fez questão de trabalhar com cores fortes, inspirando-se na vida existente no fundo do mar e trazendo estampas de estrelas do mar, conchas, ondas, bem como tops bordados com cristais, peças de cintura baixa, caudas com babados e o uso de uma dupla de shorts, sendo um colado por baixo e outro solto por cima.
Enquanto isso, a label Salvador Ferragamo caminhou por direção diferente, apostando em bermudas com fendas laterais, maxi bolsas, sandálias com saltos diferentões, casacos com ombros arredondados e looks monocromáticos. Destaque para produção total plumas.
Outra grife que gerou buchicho entre as participantes foi a Valentino pelo uso de maxi tachas nos acessórios como sandálias e bolsas, maxi flores de crochê, camisas oversized contrastando com peças suaves, languidas e fluidas.
Agora, o meu queixo caiu diante da coleção de Giorgio Armani e dos acabamentos feitos nas peças com pink metalizado, além dos efeitos devoré das produções, das sandálias transparentes e das calças com suas barras estacionadas em cima dos maléolos. Destaque para os quimonos urbanos apresentados em tons acinzentados. Lindos!
A marca Fendi veio com uma proposta confortável criada com peças em tricô bordados, inclusive nos acessórios como bolsas e sapatos, colarinhos cerrados e vestidos cortados à laser.
E o falatório sobre a semana de moda italiana intensificou depois que outro show fashion organizado por cinco estilistas negros (Fabiola Manirakiza, Mokodu Fall, Claudia Gisele Ntsama, Karim Daoudi e Joy Meribe) foi mostrado na intenção de lembrar o público a respeito da falta de diversidade no meio e de estilistas negros e afrodescendentes, especialmente na Itália.
A verdade é que não foram somente as minhas orelhas que queimaram durante toda semana de moda, mas também meus olhos à la Ciclope (X-Men) por visualizar tantas belezas, originalidade e lembretes sobre os modismos para as próximas estações do ano, particularmente o desfile de transparências e de tops cropped retos usados com camisas.
Arrivederci!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução