Buenas!
O aniversário do site me fez refletir a respeito de quantas historias e aventuras eu já compartilhei com vocês ao longo desses 12 anos. São inúmeras, né!? E de todo tipo e ordem, mas nada comparado ao trabalho desenvolvido pela escritora Helena Blavatsky, mais conhecida por madame Blavatsky.
Se eu fosse colocar suas obras dentro de uma caixinha, eu diria que elas são espiritualistas porque a autora percorreu durante toda a vida o caminho do autoconhecimento, em busca do divino, da liberdade pessoal, do invisível, do sensitivo e dos mistérios da vida humana.
Desde pequena, Helena já se sentia diferente das outras crianças, pois começou a tocar piano eximiamente aos quatro anos, bem como a falar vários idiomas aos seis anos, além de ouvir vozes e visualizar espíritos no seu entorno.
Isso mesmo! Ela era médium e não sabia como lidar com sua mediunidade, por isso os padres da cidade em que morava a odiavam e ela foi taxada não só por eles como pelas autoridades locais como a bruxa que vomitava clarividências. No entanto, as pessoas não tinham medo de Helena e vinham até sua casa para conversar com o mundo dos mortos porque ela servia de ponte entre a banda de cá e de lá.
Não demorou muito para que a artista percebesse que sua missão era muito maior do que a planejada pela sua família e assim, partiu para o mundo, viajando entre países do oriente e do ocidente atrás de informações e tudo o mais que explicasse a sua existência, a presença de uma força superior e as reencarnações.
Outro fato interessante retratado no monólogo encenado pela atriz Mel Lisboa é que desde cedo Helena percebeu que não gostava do sexo oposto ao ponto de dividir toda sua vida com um único homem. Tanto é verdade que ela casou-se com Michael C. Betanelly, mas a união durou apenas três anos. Depois desse período, ela desfrutou apenas a companhia de mulheres na intimidade.
Teve a consciência de que a sororidade e a união feminina é uma ameaça aos interesses de sociedades patriarcais, mas nunca parou de escrever, de compartilhar seus conhecimentos e dividir suas reflexões filosóficas e de caráter místico, sincrético e espiritual.
O problema é que muitas de suas palavras e falas foram deturpadas e Helena ao longo de sua vida terrena recebeu outros títulos além do de bruxa atribuído em sua infância e o de charlatã, de atriz, de impostora, louca e fraude.
A atriz Mel Lisboa, literalmente, encarnou a personagem diante de nós como se estivesse cedendo seu corpo e sua boca para a escritora contar sua própria historia e começou a apresentação de costas, tocando piano e vestida a caráter. Ao longo dos minutos não abandonou a postura arqueada adotada inicialmente, nem os gestuais de uma dama de século XIX e até quebrou a quarta parede, falando diretamente com os espectadores que a estavam assistindo ao vivo e explicando os motivos de sua escolha cênica.
“Madame Blavatsky” é um monólogo que nos instiga a sabermos mais a respeito dessa mulher ousada, à frente de seu tempo e que pagou um preço alto por sua passagem por aqui. E como nós não sabemos e nem temos o controle de nada nessa vida, o mistério sobre se ela já reencarnou ou não continua.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Serviço:
Onde ver: através da página do Sesc no Youtube.