O monitoramento em relação às semanas internacionais de moda continua e o que foi percebido foi que os desfiles virtuais permanecem, entretanto a adesão de estilistas caiu e, desta vez, o line-up diminuiu, especialmente o da semana de moda de Londres que foi realizada nos últimos dias na capital inglesa.
Agora, o interessante foi observar as motivações das marcas nesta edição, pois a maioria fez questão de construir coleções valorizando o meio ambiente, as belezas e riquezas naturais, além de exteriorizar suas preocupações com a preservação de florestas e de povos residentes nas matas.
Outras labels fizeram criticas em relação ao posicionamento de alguns lideres mundiais durante a pandemia, trazendo para os holofotes profissionais da área da saúde que continuam na linha de frente no combate ao coronavírus em todo o mundo.
A primeira parada para checagem do novo aconteceu durante o desfile de abertura do evento com a marca Burberry. Batizada de “In Bloom”, a coleção foi apresentada no meio de uma floresta, foi construída em cima de mitos e no amor entre uma sereia e um tubarão, por isso a prevalência das cores areia e azul, da estampa de barbatana, de peças imitando o trançado de redes de pesca, além de looks com cristais, metalizados, ostentando desenhos psicodélicos ou com a leveza dos tules. Destaque para as botas cuissardes jeans, para os bonés de duas cores e para os vestidos justos.
Já a marca Halpern animou sua participação, colocando algumas profissionais da área da saúde para dançar e reforçando a mensagem de que essas mulheres são poderosas além dos hospitais e têm condições de desfilar não só com jalecos brancos, como também com produções ultra femininas feitas com peças de seda, lamês, tweeds, paetês. Destaque para o conjunto de paetê com estampa de maxi poás em preto e branco e para o vestido verde limão com detalhe frontal.
Enquanto isso, Vivianne Westwood mostrou um show protesto através de imagens reais de manifestações ocorridas nas ruas de Londres e trouxe a figura do palhaço para cena fashion, assim como rostos mascarados e a presença de camisetas engajadas, moletons estampados, jaquetas bombers e cabelos naturais com suas raízes sem retoques.
Destaque para os acessórios, tais como: sapatos vermelhos, bolsas no formato de coração, bolsas baús e muitas pérolas, inclusive usadas por homens. Senti no ar o mesmo cheirinho rebelde do clipe “Like a virgin”, de Madonna, bem como os aromas exalados pelo filme “Patricinhas de Beverly Hills” durante a apresentação porque mais uma vez Vivienne mostrou peças de xadrez tartan.
Paralelamente, a marca Temperley se apoiou em uma temática libertária e levou para frente das câmeras aquela pegada social que tanto queremos ver, através de vestidos soltos com rendas e babados, jeans flare, ternos femininos, coletes, mas também vestidos de festa com transparências e brilhos. Destaque para o vestido de gola alta, ombros pontiagudos e mangas curtas.
A parada seguinte da semana de moda inglesa ocorreu diante da apresentação da marca Preen by Thornton Bregazzi que mostrou looks primaveris, delicados e esvoaçantes feitos com tecidos usados no feitio de coleções passadas numa ode levantada recentemente sobre a necessidade de reciclagem.
E o que dizer do show da marca Bethany Williams? Colorido, engajado e com pegada de transformação social porque além de também usar materiais reciclados e orgânicos, a label convidou sem tetos e famílias menos favorecidas economicamente para ocupar o lugar de suas modelos. Destaque para os corseletes com rostos impressos, para os conjuntos de tonalidades primárias, para as calças com fendas horizontais nos joelhos e para as sombras coloridas.
As luzes se acenderam diante da coleção de David Koma com a exploração de tons neons, de peças curtas com fendas e recortes, além de vestidos coladíssimos aos corpos e que evidenciavam as curvas femininas. Destaque para o vestido branco e rosa de ombro único e assimetria.
Já as marcas Simone Rocha e Emilia Wicksted foram outras duas que apostaram suas fichas no lado girlie. A primeira label através da presença de bordados delicados, brocados extravagantes, pérolas e volumes, especialmente nas saias. E a segunda com silhueta cinquentinha, cintura marcada, saias godês, calças cigarette e colarinhos fechados.
Apesar disso, a marca Victoria Beckham estacionou seu charme em peças usáveis, com inspirações vintage e na presença de calças exageradamente compridas, jeans retrôs, smoking usados com saias e vestidos, slip dresses, coletes e peças em tons neutros como amarelo manteiga, a cor de hoje.
E por fim, a marca Erdem veio com um mood renascentista através de golas altas, de conjuntos estampados e construídos com bermudas, jaquetas cropped, bem como com peças ostentando maxi bolsos e mangas bufantes. O charme da coleção ficou por conta das gravatas borboletas e dos lenços usados como alternativa às máscaras faciais.
A ronda feita entre as novas tendências demorou quase uma semana para ser concluída, mas seu efeito foi incrível porque pudemos observar quais são as rotas pensadas pelos estilistas para tornarem-se vias principais de acesso às novidades fashion nas duas próximas estações do ano.
Beijos,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução