O final de semana foi congelante! Eu sempre invejei outros países que têm suas estações do ano bem definidas, mas confesso que bater os dentes não é comigo, não! Por isso eu nunca inventei de esquiar nas férias ou me aventurar pelo snowboard ou outros esportes invernais, apesar de toda a insistência do Fê.
Para falar a verdade, eu fujo até das baixas temperaturas ostentadas em Campos do Jordão (SP), Monte Verde (MG) e das Serras Gaúchas porque o frio chega a doer meus ossos e eu perco minha oxigenada disposição e alegria diante dele.
Desta vez, nós fomos avisados pela meteorologia da chegada da friaca com alguns dias de antecedência, então deu para nos prepararmos psicologicamente para ela. A primeira providencia tomada foi proteger o Almondega com roupas quentes e com a distribuição de cobertores dentro de sua casinha.
A segunda foi criar escudos para as samambaias de metro da vovó contra possíveis geadas, pois as baixas temperaturas queimam as suas folhas, especialmente porque os vasos estão dispostos na garagem de casa. Para isso, nós fixamos lençóis em suas extremidades com pregadores de roupa.
A terceira atitude foi comprar um pequeno aquecedor para colocar no quarto dos meus avós para eles não passarem frio durante essas noites. Além disso, minha mãe lavou o edredom e a manta que os dois usam para conseguir fazer um sanduíche bem quentinho com a dupla.
Na sexta-feira, eu até que me levantei bem humorada e disposta a fazer exercícios físicos para aquecer o corpo depois de tomar meu café da manhã. No entanto, o bicho começou a pegar no período da tarde e depois que me aquietei para assistir ao jornal.
Meu sonho de consumo atual não é viajar, conhecer lugares novos, ir para baladas ou circular pela cidade como a maioria das Oxigenadas, mas sim ter uma lareira para chamar de minha, ou melhor, de nossa e localizada bem no centro de nossa sala de estar…
E como isso não será possível no momento, então a solução foi partir para a cozinha e acender ao forno para assar um bolo de laranja e fornadas de pães de queijo porque as bolinhas mineiras marcaram presença nos nossos encontros à mesa nas tardes de sábado e domingo.
O rodizio de bebidas quentes também foi outra pratica implantada durante o ultimo final de semana e ora a gente bebericava chás, ora queimava os lábios e nossos céus das bocas com chocolates quentes ou cafés. Isso sem falar no
minestrone (sopa de legumes com macarrãozinho) que a vovó fez para substituir as pizzas na noite de domingo.
O único problema foi que a ingestão de líquidos durante todo o final de semana estimulou a minha bexiga em excesso e ninguém merece ter que sair da cama quentinha no meio da noite para ir ao banheiro.
Nos primeiros minutos, eu até fingi que nada estava acontecendo, virei de lado e tentei pegar no sono, mas conforme o tempo correu eu percebi que a tortura só iria piorar, então afastei as varias cobertas que estavam me imobilizando na cama e parti em disparada para o toalete, há, há, há….
Agora, o pior foi ter que lavar as mãos em água fria depois. Eu até cogitei não higieniza-las, mas com o nosso corona rondando por aí, simplesmente não dá! Então, inspirei profundamente, prendi o ar por segundos e deixei a água escorrer pelas mãos ensaboadas e depois congelar as extremidades dos meus dedos. Foi doído, viu!
E foi arrastando cobertores pelos cômodos da casa e desfilando com pijamas, pantufas, gorros e meias de lã que nós curtimos mais um final de semana conjuntamente e sentimos, literalmente, em nossas peles a primeira onda congelante de 2020.
Forte, intensa e atípica, mas nada comparada com a outra onda doentia, revolta e que continua distribuindo caldos em milhares de pessoas por dia porque esse vírus que ostenta em seu nome parte do acessório usado pela realeza, pelo visto, vai demorar a curvar-se diante dos avanços e descobertas da ciência.
Boa semana, Oxigenadas!

Maria Oxigenada
Foto: reprodução