Mais uma comédia romântica, Oxigenadas? Siiiim! O atrativo principal de “Solteiramente” é que é uma obra sul-africana, mas a verdade é que o que me chamou a atenção foi o seu nome e a presença do sufixo “mente” no final da palavra solteira.
Todxs nós sabemos que ele é usado como advérbio de modo e muitas vezes para descrever o estado de espírito do sujeito da frase, então qual é a maneira como as africanas se apresentam e se comportam? De maneira empoderada, quebrando tabus ou de forma convencional?
Logo nos primeiros minutos da película, o espectador toma ciência de que a protagonista chamada Dineo (Fulu Mugovhani) é uma mulher bonita, bem sucedida e que trabalha como gerente de mídia social em uma agência de publicidade, mas que acaba de levar um chute na bunda bem no dia dos namorados.
Para a nossa surpresa, ao invés dela tirar onda da situação e virar a página rapidamente, a personagem mergulha numa rápida fossa, se envolve em episódios vexatórios e bebedeiras ao lado de sua melhor amiga Noni (Tumi Morake). Quem nunca?
Na sequencia, nós ficamos sabendo que desde a juventude Dineo é na verdade uma mulher insegura, carente, com baixa autoestima, que teme a solidão e que acredita que só é possível ser feliz com algum boy magia para chamar de seu, por isso acaba emendando um relacionamento amoroso no outro e não consegue desfrutar de sua própria companhia.
O próximo da lista é Lunga (Bohang Moeko), gato que ela conheceu em um estacionamento e que na mesma noite foi para cama. O problema é que passados alguns dias de paixão entre lençóis, Dineo descobre que ele está noivo, irá se casar com outra mulher e que ela foi sua despedida de solteiro.
Clássico, hein?
E mais uma vez ela lambe o chão e fica arrasada! E mais uma vez ela pode contar com o colo e o carinho de Noni que, aliás, tenta mostrar para a bonita que ser solteira também tem suas vantagens, que sua vida é divertida e que não a troca por nenhuma outra.
“Solteiramente” é um filme repleto de clichês, com um enredo sem surpresas e inspirado nas comedias românticas produzidas por Hollywood, mas o mais interessante dele é observar os desfechos das duas personagens femininas, bem como sentir qual é o recheio de uma amizade verdadeira e de longa data.
Agora, não há duvidas de que as melhores cenas da obra são as cômicas, especialmente as aventuras sexuais protagonizadas por Noni e as cenas de bagaceiragem da dupla dinâmica realizada entre as baladas e karaokês locais.
Outro ponto positivo do filme é a caracterização dos personagens através de seus figurinos fashionistas com vestidos colados, paetês, drapeados, transparências, sutiãs à mostra, texturas, ombros desnudos, plumas, conjuntos de veludo molhado, agasalhos esportivos, mas também perucas, muitos batons coloridos e delineados metalizados.
A fotografia da obra também não é de se jogar fora com cenas gravadas nas savanas africanas, em rooftops ou outras contrapondo as construções modernas e envidraçadas encontradas em qualquer grande centro urbano do mundo com a cultura de rua africana.
Por fim, eu gostaria de dizer para vocês que “Solteiramente” era um filme repleto de superlativos e que retratava o cotidiano e as questões das mulheres do século XXI, entretanto ele está mais para uma comédia romântica como outra qualquer lançada recentemente que nos remetem às histórias batidas de contos de fadas de outrora e que são um verdadeiro desserviço às mulheres de hoje.
Vale a pipoca.

Maria Oxigenada
Foto e vídeo: reproduções