Os cadernos com roupas recortadas de bonecas de papeis criaram traças diante de suas versões tecnológicas. Agora, a graça está em montar produções, desenvolver coleções e até desfiles de moda através do computador e usando tecnologia 3D.
O primeiro show digital visto este ano foi feito pela estilista Anifa Mvuemba, da marca Pink Label Congo, que apresentou sua nova coleção através de um desfile com a presença somente das peças criadas circulando por uma passarela invisível.
A ideia vista foi extrapolada por outras marcas, inclusive a italiana Sunnei Canvas que desenvolveu uma apresentação digital com algo a mais da africana e mostrou sua nova coleção através de avatares. E não foi só isso, não! Os estilistas Loris Messina e Simone Rizzo ainda colocaram os cinco modelos para dançar ao som de “Macarena”. Uhu!
E o que se viu foi a multiplicação da presença de tênis branco, de sandálias plataformas, de camisetas franjadas parecidas com abadás customizados de blocos de carnaval, além de saias longas usadas por cima de calças, peças listradas, capas compridas, saias com palas largas, tops cropped com mangas longas, produções de veludo, chapéus praianos masculinos, argolas nas orelhas e bolsas sacolas.
A naturalidade das produções foi reforçada com os falsos modelos ostentando cabelos soltos com alguns fios rebeldes e fora do lugar ou mesmo com um pouco de frizz, bem como peles sem qualquer tipo de maquiagem aplicada.
A vibe caliente proposta pela música sofreu propagação e o espectador ainda pode acompanhar as opções de cores disponíveis de cada uma das peças desenvolvidas com a multiplicação dos modelos rebolando bem à nossa frente.
No entanto, toda essa boa energia foi quebrada depois que observei que os protótipos de modelos estavam sérios, dançando com suas bocas serradas e sem distribuir um único sorriso às câmeras. Afê! Que rabujentos!
Murchei momentaneamente…
Mas a bola fashionista continua rolando em diferentes campos e com espetáculos repletos de conteúdos históricos, cargas culturais e tecnológicas. A verdade é que a pandemia revelou novas maneiras de fazer moda e de presentear os clientes com criatividade, evitando que eles fiquem ruminando coleções passadas ou cirandando por entre nuvens de pó grudadas em peças de outrora porque quem gosta de poeira é pé de vento e não nós, né Oxigenadas?
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução