A bandeira vermelha já foi hasteada e sua movimentação tem sido intensa, especialmente em encontros e fóruns mundiais, como o econômico de Davos, que alertam às nações e líderes mundiais sobre as mudanças climáticas ocorridas nas últimas décadas em consequência da ação do homem.
O grande vilão dessa historia é mesmo o homem e suas invencionices porque apesar da força descomunal da natureza, ela está perdendo esse cabo de guerra e, literalmente, mostrando os dentes, ou melhor, sua fúria através do aumento de enchentes, terremotos, queimadas, tsunamis, desabamentos, entre outros episódios desastrosos.
No filme “O preço da verdade – Dark Waters” é possível acompanhar o resultado nefasto da mão humana na saúde e bem estar de moradores de uma pequena cidade localizada no Estado de Virginia (USA), pois após anos bebendo a água intoxicada do rio que abastece o local, o numero de pessoas doentes aumentou e muitas estão sofrendo com patologias graves, tais como diferentes tipos de câncer, além do nascimento de crianças com anomalias e deficiências físicas e o surgimento de inchaços e alterações no tamanho de órgãos vitais de seus corpos.
Mas o que impressiona o personagem principal Robert Billot (Mark Ruffalo) logo de cara e em uma visita ao local é a constatação de que crianças e adolescentes aparentemente saudáveis estão ostentando dentes escuros. Estranho, né!?
Na sequencia, ele vai até a fazenda de seu cliente Wilbur Tennant (Bill Camp) e percebe que a maioria de seus animais morreu e que os que ainda estão vivos estão agressivos, com olhos parados, pelos opacos e dentes pretos.
Tanto uma espécie como outra são vitimas das ações da DuPont, indústria química existente na região e a maior empregadora local que descarta matérias primas usadas no feitio de seus produtos no rio que corta a cidade, poluindo-o e intoxicando todos que bebem de suas águas.
Esse é aquele tipo de crime silencioso, de longa duração, praticado na surdina e nas caladas das noites para que ninguém veja, saiba ou questione sobre o assunto, especialmente a imprensa.
Entretanto, a verdade sempre vem à tona e ela começa a aparecer depois que Dr. Robert Bilott entra com um processo contra a multinacional pedindo indenização para seu cliente por suas perdas.
Parte da película conta com cenas de júri, mas a verdade é que ela está ambientada fora do tribunal acompanhando os 15 anos de luta e trabalho do
protagonista da historia, bem como a lentidão da justiça americana e outras vitimas da DuPont.
E nesse interim, o espectador conhece um pouco mais sobre esse herói de gravata, postura arqueada, poucas palavras e advogado obsessivo que mesmo sem credibilidade diante de seus colegas continua fazendo seu trabalho com determinação e afinco.
Ao seu lado, ele tem sua esposa Sarah (Anne Hathaway), advogada que largou o ofício em prol da família e um dos sócios do escritório em que presta serviços, mas a sua jornada de herói também conta com momentos de grande sofrimento, seja quando percebe que seu casamento está em crise ou quando seu salário é cortado quatro vezes consecutivas ou ainda, quando seus três filhos não reclamam mais sua ausência em casa.
Sim! O filme é puxaaaado! Transpira melancolia e um ritmo lento! Apesar disso, ele conta com ótimas atuações como a de Mark Ruffalo e Bill Camp, especialmente do segundo ator. Já a atriz Anne Hathaway não tem espaço na obra para mostrar seu talento e torna-se coadjuvante sem atitude.
Outro fato que chama a atenção de quem está assistindo ao drama não é sua trilha sonora e sim, a paleta de cores escolhida para construir os personagens que bem remetem à época, ao peso da passagem do tempo e ao clima vitimador dos envolvidos.
Baseado em fatos reais, “O preço da verdade – Dark Waters” é o exemplo da ganância humana e até onde ela pode nos levar, além de ser uma mensagem do diretor Todd Haynes sobre o tema, mas ele não é o único a tocar nesse assunto, pois “Erin Brockvich – Uma mulher de talento” já havia feito isso anteriormente.
Aqui no Brasil, a temática está sendo abordada na novela global “Amor de Mãe”, através do personagem Davi (Wladimir Brichta), biólogo e ambientalista que luta contra a poluição da Baía da Guanabara, além de tentar punir as empresas responsáveis por dutos de dejetos clandestinos. A personagem completa sua atuação “verde” sendo o proprietário de um galpão de reciclagem de plástico.
No entanto, há documentários e outras obras ficcionais que também falam sobre algumas questões citadas acima e que valem a nossa observação, tais como: “Nosso Planeta”, “Terra”, “Uma verdade inconveniente”, “Seremos História”, “Oceanos de Plástico”, “Real Value”, “O Planeta Branco”, “Cowspiracy – O segredo da sustentabilidade”, “A última hora”, entre outros.
#Fica a dica.

Maria Oxigenada
Foto: reprodução