O mundinho da moda encontrou outra maneira de apresentar suas novas coleções. Saem os desfiles presenciais e entram documentários, filmes conceituais e desfiles virtuais realizados nas próprias maisons, em monumentos históricos da cidade luz ou em locações ao ar livre.
A semana de moda francesa foi a primeira a se arriscar virtualmente e surpreendeu com a criatividade dos produtos apresentados, pois algumas marcas evidenciaram os tempos atuais de pandemia mostrando a dualidade da vida e morte, além do uso de máscaras (Rahul Mishra, Schiaparelli, Agonovich), luvas (Franck Sorbier) e a projeção de um futuro sombrio e nebuloso enquanto não há o surgimento de uma vacina ou a descoberta de drogas para um tratamento eficaz contra o Covid-19.
Já outras marcas preferiram seguir por caminho inverso e apostaram suas fichas na exaltação de belezas naturais e na força da natureza (Dior, Ellie Saab, Guo Pei). Houve também aquelas labels que olharam para as artes plásticas e para obras de pintores famosos como a Capela Sistina, de Michelangelo, para construir a concepção de seu vídeo, bem como outras que deixaram claro seu recado através da apresentação de peças confortáveis e seguras (Viktor & Rolf).
E apesar de todas essas diferenças estéticas o que ficou claro nos vídeos foi à recorrência de algumas tendências e modismos. Dentre eles estão: o uso de peles falsas, tanto para a confecção de peças inteiras como em detalhes das roupas como as golas (Aelis e George Hobeika).
As plumas também foram vistas mais de uma vez entrando e saindo das telinhas, especialmente no show pensado pelo estilista Christophe Josse ou na apresentação do estilista Antônio Grimaldi ou da marca de Giambattista Valli.
No entanto, as aplicações e bordados de flores receberam meus aplausos pelas maneiras diferentes como foram vistas, seja da forma decorativa e pontual, seja fechando produções inteiras (Aganovich, Alex Mabille ou Chanel).
Os maxi laços também envolveram alguns dos looks desfilados na ocasião, transformando-se em pontos focais de quem estava diante de celulares ou computadores. Esse foi o caso dos espetáculos apresentados pelas marcas Giambattista Valli, Alex Mabille e Jean Paul Gautier.
Outras figurinhas repetidas em edições passadas estiveram presentes nesta semana de moda parisiense diferentona, como os veludos molhados (Aganovich, Alex Mabille), as saias mullets (Georges Hobeika e Antônio Grimaldi), os volumes extras de tecidos (Giambattista Valli), as maxi golas (Christophe Josse e Chanel), as túnicas (Alex Mabille e Christophe Josse), os drapeados (Iris Van Herpen e Dior), as fendas profundas (Azzaro Couture e
Christophe Fosse), os tules (Aelis e Dior) e os ombros pontiagudos (Jean Paul Gautier).
Em relação aos cabelos, a constatação foi que o uso de coques baixos, centralizados e fixos com grampos invisíveis e domados com a ajuda de géis e pomadas modeladoras está com tudo (Aelis, Alex Mabille, Antônio Grimaldi, George Hobeika, Guo Pei)! Já os estilistas e marcas, tais como Julien Fournié, Franck Sorbier e Azzaro Couture modularam os rostos de suas modelos através de ondas artificiais feitas nas madeixas.
E como era de se esperar, há o clamor por maquiagens carregadas, dramáticas e que destaquem os olhos femininos através do uso de sombras pretas, de delineados marcados e de bocas preenchidas com batons pretos ou vermelhos vivos. (Franck Sorbier, Antônio Grimaldi e Aelis). As exceções foram às marcas Chanel e Ralph & Russo que iluminaram os rostos de suas modelos com sombras metálicas e coloridas.
Agora, o melhor disso tudo foi poder assistir aos documentários e desfiles virtuais várias vezes e ter a possibilidade de pausar as apresentações, observando pormenores e detalhes de cada uma das peças apresentadas, inclusive dos tecidos usados pelos estilistas, bem como seus bordados decorativos e acabamentos.
Sinceramente, eu achei este novo formato de divulgação das novas coleções das grandes labels democrático e acessível e torço para que ele seja integrado definitivamente nas semanas de moda, tornando-se mais uma ferramenta usada por estilistas e marcas.
Novos tempos, né Oxigenadas!
Maria Oxigenada
Foto: reprodução