Tá dominado! Tá tudo dominado! O cenário paulistano mudou completamente nos últimos dias. Os únicos que vemos circulando livremente pelas ruas da capital paulista são os motoboys e entregadores de compras.
Para eles não há crise econômica porque o que não falta é trabalho para ser feito nesse momento de proliferação do coronavírus. E restaurantes, farmácias, supermercados encontraram no serviço de delivery a solução para continuarem atendendo seus clientes à distância e ainda amenizarem seus prejuízos financeiros, favorecendo a queda do vai e vem das pessoas.
Vez ou outra, o silencio reinante atual está sendo quebrado pela passagem de motociclistas com os escapamentos de suas carruagens perfurados e estes encontram eco nas vias fantasmas da cidade.
Mas há outro tipo de entregador também chamado de verde, ou seja, aquele profissional caladão, que se utiliza de bicicletas ou patinetes movidos à energia elétrica e que prima não só pela não poluição do ar e não emissão de CO2, como também pela quietude entre os trajetos feitos.
Agora, o mais interessante é que nos últimos dois anos houve um crescimento de 71% no número de solicitações de comidas e bebidas pela internet e via aplicativos, segundo divulgou recentemente a revista Veja, mas a verdade é que eu ainda não tinha aberto meus olhos e ouvidos para o negócio promissor que só tende a crescer com o avançar do confinamento humano, né!.
Durante o último congresso de gastronomia em que participei ouvi alguns proprietários de restaurantes reclamarem que seus estabelecimentos comerciais estavam às moscas e por esse motivo tinham diminuído suas brigadas e o número de garçons, maitres, commis e pessoas que prestavam serviços a eles.
Entretanto, ficou claro na ocasião que suas cozinhas continuavam a todo vapor, preparando pratos e delícias para serem acomodadas em caixas de papeis reciclados ou viajarem em marmitas de isopor.
Na época não liguei um fato ao outro, mas agora entendi completamente o que estava sendo dito na ocasião e fiquei pensando sobre outra verdade que envolve a gastronomia que é o prazer estético proporcionado por ela, pois os pratos montados para delivery não precisam seguir o mesmo rigor dos apresentados em louças e com isso, somos privados de acompanhar todo o balé desenvolvido pelos chefs de cozinha e toda a poesia reunida na construção de delícias instagramáveis, onde alimentos de diferentes texturas, cores e sabores são dispostos e trabalhados de tal maneira a aguçar ainda mais o apetite de quem os comem.
A verdade nua e crua é que ainda não consigo visualizar beleza no ato de embalar, fechar, arrumar e embrulhar para viagem, mas já estou conseguindo me surpreender com a qualidade dos produtos entregues e com a eficiência dos profissionais responsáveis por seus transportes.
No entanto, alguns cuidados devem ser tomados por nós durante o recebimento de encomendas e comidas por delivery, tais como: manter um metro e meio de distancia do entregador, realizar pagamento on-line e anterior à entrega, não assinar comprovantes de recebimento, limpar as superfícies das embalagens antes de coloca-las em cima da mesa de jantar, lavar as mãos com água e sabão ou passar álcool gel antes de iniciar a refeição e por fim, descartar corretamente as embalagens.
O domínio da operação de entregas rápidas está sendo deles, mas nós também podemos colaborar, evitando contaminá-los com vírus e outras doenças que continuam rodando por aí sem encontrar obstáculos para estacionar em qualquer hora do dia ou da noite.
Até a próxima aventura,
Maria Oxigenada
Foto: reprodução