A obrigatoriedade do uso de mascara foi desculpa perfeita para eu lançar mão da minha faceta dissimulada. Quem nunca? E a brincadeira atual está sendo combinar o acessório com peças confortáveis para dar aquele rolê pela vizinhança e enquanto eu passeio com o Almondega diariamente.
Vovó me ajudou na criação de máscaras caseiras, recorrendo aos retalhos de tecidos que tinha guardado para o feitio de fuxicos, aquelas flores diminutas usadas para recobrir almofadas, tapetes ou para dar forma e alegria a colares e bolsas artesanais.
Para isso, ela assoprou a camada de poeira que estava estacionada em cima de sua máquina de costura e passou a tarde brincando de cortar, alinhavar e fixar pedaços de elástico nas extremidades. Do forno saíram máscaras listradas, lisas, xadrezadas, bordadas, de poás e animal print, mas sem sombra de dúvidas as que estão fazendo sucesso por aqui são as que simulam páginas de gibi com quadrinhos coloridos, diálogos visíveis e onomatopeias frontais.
Descobri o código para receber assobios e para quando eu amanheço desanimada ou com autoestima comprometida, pois são a elas que recorro para que o meu astral mude completamente. Tudo porque as pessoas acabam desarmando suas defesas ao me encontrar e abrem sorrisos largos por baixo de suas máscaras.
Outras que têm boa aceitação entre a galera são as estampadas com personagens do Looney Tunes, especialmente com Patolino, Pernalonga, Gaguinho, Frajola, Piu-Piu, Papa-Léguas bebês, mas as gargalhadas rolam soltas e há uma oxigenação geral no encontro quando uso a máscara do Taz, demônio da Tazmania estampado.
E pensando que as máscaras continuarão fazendo parte de nossas vidas por um tempo indeterminado, eu fiz um segundo pedido para a vovó para que ela confeccionasse agora máscaras fashionistas como as feitas de paetê. Vocês viram a que a apresentadora Ana Maria Braga usou recentemente? Reluzente e linda!
Confesso que eu também tenho uma queda para as bad maskes que tenho visto por aí, ou seja, aquelas que exalam certa rebeldia como as de caveiras, especialmente as inspiradas na animação “Viva – A vida é uma festa” ou aquelas populares circulantes no desfile do Dia dos Mortos no México.
Entretanto, eu percebi que não são todos os animais que simpatizam com esse tipo de estampa. Os cachorros da minha rua, por exemplo, adotaram um comportamento preconceituoso todas as vezes que apelo para a minha máscara preta de bolinhas brancas, pois latem insistentemente, mostrando seus dentes afiados para mim como se não me conhecessem ou sentissem
meu oxigenado cheiro. Vai entender! Eles estão por fora e não sabem que a estampa voltou a ser tendência nesse inverno.
O importante mesmo é ignorar as reações alheias e não sair de casa sem a sua. Outra atitude importante é não tirá-las ao conversar com outra pessoa e não deixa-las estacionadas nos pescoços. Seu lugar é no rosto, cobrindo a boca e o nariz. Além disso, elas precisam ser trocadas a cada duas horas de uso, por isso a importância de ter mais de uma disponível para quando vocês saírem de casa.
As máscaras de tecidos devem ser colocadas de molho em solução feita com água sanitária e água corrente por 20 minutos e somente depois serem lavadas com água e sabão. Vocês ainda podem acentuar os cuidados passando suas pregas com ferro quente.
Agora, as máscaras descartáveis precisam ser colocadas dentro de sacolas plásticas e no lixo orgânico dos banheiros com suas extremidades amarradas para melhor identificação. Não é pedir muito para vocês escreverem nas superfícies externas de cada sacola o conteúdo existente dentro, né!?
Por que não imprimir sua personalidade nas máscaras usadas, dando aquele charme e apostando em modelos que transpiram identidade pessoal e criatividade…
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução