Que “BBB”, “A Fazenda” ou “De férias com o ex”, que nada! O reality do momento é “Casamento às Cegas” ou “Love is Blind”, da Netflix. O programa tem o objetivo de juntar desconhecidos, mas sua fórmula é diferente do “Vai dar namoro”, da Rede Record.
Neste caso, vai dar casamento, isso sim! Porque os casais formados durante os episódios tem a pretensão de subir ao altar em apenas um mês e no último capítulo da atração. Rápido, né!? E mais ou menos no mesmo ritmo observado dos relacionamentos construídos em redes sociais ou através de aplicativos de encontros da atualidade.
Entretanto, a principal diferença é que na primeira etapa os participantes do programa estão divididos entre homens e mulheres que conversam diariamente através de cabines, trocando confidencias, gostos, informações e afinidades pessoais, mas sem se verem ou tocarem.
Passada esta etapa de blábláblá e do envolvimento emocional, então é chegado o momento que os pedidos de casamento são feitos. Somente os que disserem sim continuam no programa e tem a permissão para scannear o parceiro e toca-lo fisicamente.
Na sequencia, os casais formados às cegas vão para um resort cinco estrelas no México para curtir uma semana de lua de mel antecipada na intenção de conectar-se ainda mais, bem como criar intimidade, pois estão vivendo um sonho e pinceladas de um amor romântico e em poucos dias cairão das nuvens à realidade e a vida cotidiana.
A apresentação dos familiares ao noivo (a) é o degrau seguinte alcançado por cada uma das duplas e é aí que o programa começa ficar mais divertido porque há sabatinas de pais protetores, recusas em encontrar os pretendentes de pais conservadores, olhares congelantes de irmãos e amigos inconformados com a experiência e tantas outras reações surpreendentes.
Agora, o “fogo no parquinho” é ateado definitivamente quando os casais vão morar juntos em um apartamento cedido pela produção do programa e uma dinâmica de vida conjunta é instalada, pois a partir desse momento é necessário resolver problemas cotidianos, bem como administrar desafios profissionais presentes e as diferenças pessoais.
E dali brigas, trocas de ofensas, condutas sarcásticas, egocêntricas, além de episódios de bebedeiras, de inconformismo, dramáticos, mas também de pura diversão e romantismo, dignos de contos de fadas entre as duplas.
Paralelamente, o espectador acompanha os preparativos para o casamento de cada um deles, desde a escolha do vestido de noiva ou terno do noivo, parte da decoração da festa e até suas despedidas de solteiros (as).
A primeira temporada do reality show conta com dez episódios e é somente no último que nós ficamos sabendo quem irá dizer sim ao pastor, padre ou juiz de paz ou simplesmente reafirmar que o amor não é cego e que a aparência física é um dos componentes essenciais para que a atração cresça e o amor floresça entre duas ou mais pessoas.
O interessante de “Casamento às cegas” é observar as uniões formadas, pois para dar mais vida ao programa há um casal com grande diferença de idade, outro interracial, outro com diferenças socioeconômicas, outro formado por pessoas de diferentes nacionalidades e culturas e tem até um casal sem química alguma, bem ao estilo pão com ovo, há, há, há…só faltou mesmo a formação de um casal homoafetivo para imprimir mais cor ao programa.
De qualquer maneira e por mais incrível que isso possa parecer, o bom senso, a razão e a maturidade imperaram entre os participantes e somente os emocionalmente equilibrados e que percorreram todas as etapas do programa com naturalidade disseram sim ao seu final, dando uma chance verdadeira ao amor relâmpago. Os demais fecharam o programa da maneira como iniciaram, ou seja, solteiros.
Confesso que dei muita risada ao longo dos episódios e degustei a primeira temporada do reality show em um único final de semana, terminando-a com gostinho de quero mais! No entanto, acho que o formato de “Casamento às Cegas” pode ser revisto e melhorado para as próximas temporadas. Além disso, acredito que o programa se torne um produto de sucesso mundial, assim como aconteceu com outros já existentes porque as pessoas têm curiosidades e gostam de acompanhar as primeiras fagulhas de paixão e amor entre seres da mesma espécie.
“Casamento às Cegas” vale pela diversão e pelos personagens presentes!
Maria Oxigenada
P.S. Os casados durante a primeira temporada continuam juntos até hoje e passados quase dois anos da gravação do programa. Entretanto, um dos casais que desmanchou o relacionamento diante do padre, familiares e câmeras voltaram a namorar atualmente.
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