Eita, cumadres que este ano tá osso! Nada de pular fogueira ou fugir da chuva ou da cobra e, muito menos, fazer um balancê em festas juninas por aí. O arrasta pé, ou melhor, o patinar de rodas aconteceu no primeiro final de semana de julho e com todo mundo dentro de seus próprios carros, pois as delicias caipiras puderam ser compradas através de um drive-thru montado no entorno da pracinha do bairro em que moro.
Os organizadores empenharam-se em construir um clima reconfortante com a distribuição de bandeirolas coloridas atravessando as ruas, além da montagem de barracas típicas e com os voluntários vestidos a caráter. Entretanto, o clima estava carregado, chuvoso e destoando da alegria típica do São João.
Desta vez, eu me prontifiquei a fornecer as paçoquinhas caseiras e caprichei no feitio da delicia. Passei três dias inteiros dentro da cozinha torrando amendoim, misturando os ingredientes na panela, esticando a massa em cima de uma pedra de mármore; tudo para poder corta-la no formato de losangos.
No dia marcado, eu convidei meus avós para um passeio diferente, coloquei mascaras nos compadres e lá fomos nós rodopiar pela praça em cima da carruagem motorizada.
Passados mais de 100 dias presos dentro de casa, eles finalmente saíram da cadeia por alguns minutos e já durante o trajeto estavam rindo até para os passarinhos equilibristas encontrados nos fios de alta tensão e nem reclamaram nenhuma vez da espera na fila.
Fizeram um pedido extenso com direito a pamonhas salgadas e doces, sacos de pipoca, maçãs do amor, potes de doce de abóbora e batata doce, cuscuz paulista para viagem e até churrasquinho de gato.
Eu encostei o carro, abri as janelas para ouvirmos a música que estava tocando do lado de fora e ficamos mais de hora nos divertindo com o piquenique improvisado.
E quando retornamos para casa, meus pais também tinham entrado no clima caipira e estavam acompanhando a live promovida pela cantora Elba Ramalho com Geraldo Azevedo e Alceu Valença. Boa demais, sô!
Para falar a verdade, nas três ultimas semanas eles atearam fogo dentro de nossa casa, pois somente da Elba eu vi três lives distintas em junho. Já do Alceu Valença eu vi duas diferentes e o que me chamou a atenção é que o artista fez questão de explicar aos espectadores quais foram os acontecimentos pessoais e suas inspirações para o feitio de alguns de seus maiores sucessos.
E apesar da quarentena, nós aqui de casa estamos fazendo o possível para mantermos as tradições, comemorando as datas festivas e nos divertindo da maneira do possível e assim foi na última Páscoa, no dia das mães, no dia dos namorados e agora, durante as festas juninas e julinas.
A panela de pressão do isolamento social ganhou um escape convincente com outros sabores caipiras no arrasta pé domestico e no dia-a-dia dos meus familiares, pois durante as ultimas semanas eu tenho feito canjica doce para o nosso café da manhã, batido bolos de milho para acompanhar o nosso café da tarde, mas sem duvida o que mais tem agradado, especialmente meus avós nos dias de temperaturas baixas são as gemadas com leite pelando.
Eles estão, literalmente, queimando os céus de suas bocas com tanto carinho e mimo, pois no momento sou brasa acesa e não vou permitir que a alegria costumeira daqui de casa se transforme em cinzas embaladas por musicas que não sejam acompanhadas pela tradicional sanfona, por um triângulo ou uma zabumba, uai!
Vocês querem oxigenar ainda mais essa quarentena, Cumadres? O segredo é continuar forrozeando pelos cantos da casa ou caindo de boca em um xote ou em um bom baião naqueles dias desanimadores e quando ficamos diante do crescente numero de vitimas do vilão da atualidade chamado Corona.
Inté o próximo arraiá,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução