Depois desse tsunami chamado coronavírus e que deixou a todos com a sensação de descontrole total, além da presença de picos de ansiedade, acredito que outros fantasmas continuarão nos assombrando para o resto de nossas vidas.
Confesso que me tornei a louca da limpeza e a maníaca por louças lavadas, lixeiras vazias, além da pessoa que anda com um paninho embebido no álcool a tiracolo na intenção de esterilizar frequentemente maçanetas de portas, chaves, interruptores, torneiras e telas de celulares e controles remotos.
Aqui em casa, nós estamos fazendo um rodízio para realizar as tarefas domésticas porque mamãe deu férias para a Maria. Outro revezamento feito entre nós diz respeito às compras de supermercado porque é impossível estocar frutas e verduras, né!?
Esta semana, a tarefa ficou por minha conta e lá fui eu com uma lista escrita à mão para não me esquecer de nenhum item. E os cuidados começaram antes mesmo de dar a partida no carro, pois esterilizei o puxador do carrinho de feira e as superfícies das sacolas retornáveis.
Entretanto, quando pisei dentro do supermercado pirei o cabeção e comecei a ver germes, bactérias e o nosso queridão flanando pelos corredores do local, assim como estacionado em embalagens plásticas e sobre as cascas das frutas e legumes.
Imediatamente, levantei a guarda, ou seja, coloquei minha mascara que estava rebaixada no pescoço, além de envolver minhas mãos em sacos plásticos antes de iniciar a escolha e pesagem dos alimentos da lista.
Claro que detectei vários olhares curiosos e risos tímidos soltos ao meu entorno, mas ninguém ousou me perguntar nada sobre a minha fantasia e muito menos, tirar sarro dela.
Já o segundo turno da atividade começou depois que descarreguei as compras em casa, pois higienizei absolutamente tudo que veio de fora. Frutas, legumes e verduras foram lavados e colocados em solução feita com água e água sanitária antes de tomarem outra ducha de água corrente e irem descansar dentro da geladeira.
As latas, especialmente os refrigerantes e as cervejas, tomaram um banho de água corrente, além das embalagens plásticas, inclusive de produtos de limpeza sentirem o frescor do álcool liquido antes de ocuparem seus lugares no armário da dispensa.
E por fim fui eu quem saiu correndo em direção ao banheiro para tomar um banho com sabonete e deixar escorrer pelo ralo qualquer possibilidade de contágio.
A nóia anda tamanha que me recuso a entrar em casa com os sapatos usados, então tenho deixado minhas pantufas posicionadas na porta da cozinha para a troca imediata. Outra precaução é que tenho me despido no trajeto entre a garagem e área de serviços logo que retorno da rua, aprisionando os vírus dentro da máquina de lavar roupas ou no cesto de roupas sujas.
Entretanto, a aventura protagonizada por esta louca por limpeza ainda não acabou e estou disposta a vestir meus trajes alienígenas e atacar em outro ambiente e dentro do carro, pois o local também requer higienização frequente com pano embebido no álcool, como a direção, o câmbio de marcha, o freio de mão, as maçanetas interna das portas, os controles de vidros e o painel frontal.
E antes que a semana acabe e eu pire de vez, farei outra parada diante do Fê. Ele não me escapa! Vai sim ter que tirar sua barba porque ela pode reter o vírus e eu é que não vou deixar de esfregar meu rosto contra o seu como uma verdadeira gata em busca de oxigenados momentos de carinho, né!
Mais cedo ou mais tarde, tudo isso irá passar! Só não tenho certeza se eu conseguirei sair dessa espiral de atitudes compulsivas e obsessivas tão facilmente e sem a ajuda e a limpeza mental de um psicólogo, há, há, há…
Beijos,

Maria Oxigenada
Foto: reprodução